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Homens são presos tentando saquear navio naufragado no Pará, diz governo

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THIAGO AMÂNCIO E ADRIANO VIZONI, ENVIADOS ESPECIAIS

PORTO DE MOZ, BA (FOLHAPRESS) - Três homens foram presos nesta quarta-feira (24) suspeitos de saquear o navio que naufragou no início da semana em Porto de Moz (PA), tragédia que deixou pelo menos 21 mortos.

Segundo o secretário adjunto de Segurança Pública do Pará, André Cunha, ao chegar para realizar buscas no local do naufrágio, na manhã desta quarta (23), havia oito catraias, espécie de canoa pequena e a motor, ao redor do barco Capitão Ribeiro, afundado no rio Xingu.

Ao verem se aproximar os barcos do governo do Estado, as embarcações fugiram. Três homens, no entanto, foram pegos, vestindo roupa de mergulho e carregando celulares, sandálias de crianças e até o aparelho de som de um carro que estava dentro do navio.

Eles disseram que buscavam itens a pedido do dono da embarcação, que negou, de acordo com Cunha, coronel da PM que deu voz de prisão aos suspeitos.

O governo encontrou outros quatro sobreviventes, que não apareceram na lista de passageiros inicialmente. Assim, o número estimado de passageiros é 52, sendo 21 mortos e 27 sobreviventes, além de quatro pessoas ainda desaparecidas.

"O mais difícil hoje é não sabermos qual o total de passageiros. Ontem achávamos que eram 48. Hoje é 52. O barco não tinha lista de passageiros, então amanhã pode subir. Isso dificulta saber a dimensão do problema", afirma Cunha.

DEPOIMENTO

O maquinista Alcimar Almeida da Silva, 41, proprietário do barco Capitão Ribeiro, assumiu, em depoimento à Polícia Civil, que a embarcação não tinha autorização para transportar passageiros entre Santarém e Vitória do Xingu.

A Arcon (Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos do Pará), que faz a gestão dos sistemas de transporte do Estado, informou que notificou a empresa Almeida e Ribeiro Navegação LTDA, a proprietária do barco, numa operação realizada no dia 5 de junho, mas ninguém compareceu à agência para regularizar a situação.

Em depoimento à polícia, Almeida, que estava no barco e sobreviveu, confirmou que foi procurado pela Arcon, mas afirmou que não poderia regularizar o barco "em razão da crise e por estar em fase de 'experimentação'".

Ele narrou à polícia que conseguiu autorização da Capitania dos Portos para fazer o trajeto de Santarém até a Prainha, segunda parada das cinco que o navio faz antes de chegar a Vitória do Xingu. Almeida diz que faz o trajeto há três anos com essa autorização parcial, em viagens semanais, e que, se registrasse que iria a Vitória do Xingu, deveria ter mais dois tripulantes a bordo.

Ele afirmou que havia sete toneladas de carga, incluindo um carro Fiat Uno e duas motos, e que a embarcação suporta 56 toneladas. Como outros sobreviventes, Almeida narrou ainda que o navio afundou após uma ventania forte. A principal hipótese do governo é que o naufrágio tenha ocorrido após a formação de uma tromba d'água, espécie de tornado, formar-se no Xingu.

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