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ATUALIZADA - Rio retira 30% do efetivo policial de UPPs

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LUIZA FRANCO E LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em meio ao agravamento da violência no Rio e do aumento de confrontos armados nas favelas, a secretaria de Segurança vai retirar 3.000 policiais das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e redistribuí-los pelo Estado. Isso representa cerca de 30% do efetivo atual, que é de 9.543 policiais. As 38 unidades que existem hoje serão mantidas.

"Digo para cada morador que acreditou que vamos continuar presentes. Será possível colocar nas ruas aproximadamente 3.000 policiais sem que isso prejudique as atividades nas UPPs", disse o secretário de Segurança, Roberto Sá, em entrevista coletiva nesta terça-feira (22).

Em meio à crise por que passa o Estado, o projeto está em xeque, com muitos confrontos entre policiais e traficantes e muitos casos de inocentes vitimados -estudo da PM cita 13 confrontos em lugares com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016.

O programa foi instalado em 2008 para retomar áreas dominadas pelo tráfico e aproximar a população do Estado, seguindo os princípios da polícia de proximidade. Se tornou trunfo político do governo Sérgio Cabral (PMDB), hoje preso. O então governador chegou a prometer em sua campanha à reeleição terminar o governo com "todas as favelas pacificadas".

Depois de estudar o assunto por dois meses, a secretaria decidiu reduzir o número de agentes dedicados a trabalhos administrativos nas UPPs e cortar postos que considerou redundantes.

Os 3.000 policiais passarão a fazer trabalho de policiamento ostensivo. Eles serão redistribuídos pelo Estado da seguinte maneira: 1.100 ficarão na capital, 900 irão para a Baixada Fluminense (que atualmente só tem uma UPP) e 500 irão para Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana.

Será criado um Batalhão de Polícia Pacificadora para atender a região da Penha e do Complexo do Alemão, áreas especialmente conflagradas pelo crime. Especialistas dizem que não é de hoje a tendência de recrudescimento da violência nas UPPs e apontam um conjunto de fatores para a deterioração.

Para Ignacio Cano, do Laboratório da Análise de Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), as UPPs foram reproduzidas sem avaliações nem correções de rumo.

A crise financeira do Estado, que já deixa um buraco de R$ 21 bilhões nos cofres públicos, agravou a situação. Não há recursos para contratar PMs aprovados em concurso, e policiais não receberam o 13º salário de 2016 nem o adicional por metas e pelo trabalho na Olimpíada em 2016. Além disso, hoje o crime está mais bem armado.

OPINIÃO

Nesta terça, foi divulgada uma pesquisa do Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), da Universidade Cândido Mendes, que mostra que moradores de áreas onde há UPPs não reconhecem melhoras significativas em suas rotinas. No entanto, 60% querem que o programa continue, com mudanças.

Para 44%, a UPP não fez diferença na sensação de segurança; para 36%, a sensação de segurança aumentou; e para 17%, era mais seguro antes da chegada das unidades.

Entre as críticas estão tiroteios frequentes, mortes, aumento de aluguéis e êxodo de moradores. Entre os aspectos positivos foram citados maior acesso a serviços públicos e privados, obras de infraestrutura, projetos sociais e oportunidades de trabalho.

Luiz Soares, 44, morador de Manguinhos que esteve presente no evento de divulgação da pesquisa, por exemplo, acha que as pessoas preferem a permanência da UPP, mesmo com todos os problemas, porque com ela vieram algumas melhorias em serviços públicos. "Antigamente não tinha retirada de lixo, iluminação. As pessoas temem que, se a UPP sair, perderemos isso também."

A opinião varia em diferentes áreas da cidade. Moradores da região central e da zona sul são os que mais acham que a UPP trouxe melhorias (48%). Os da zona oeste são os que menos acham isso (23%). UPPs de favelas menores são mais bem avaliadas.

A pesquisa foi feita com 2.479 pessoas de 16 anos ou mais, entre 8 de agosto e 25 de outubro de 2016, em 37 das 38 favelas com UPP.

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