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Aluno que agrediu professora em SC deve ter punição 'dura', diz promotora

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JEFERSON BERTOLINI

FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) - A promotora da Infância e da Juventude de Indaial (SC), Patricia Dagostin Tramontin, disse nesta terça-feira (22) que deverá pedir a internação do estudante de 15 anos acusado de agredir uma professora dentro de uma escola da cidade.

Marcia Friggi, 51, professora de português em Idaial, cidade de 65 mil habitantes, foi atingida por socos e publicou na internet fotos em que aparece com cortes na testa e hematoma no olho direito

Em geral, segundo a promotora Tramontin, medidas socioeducativas para casos de agressão preveem prestação de serviços comunitários. Mas como o garoto é reincidente nesse crime, ela planeja "uma medida mais dura" para ele. "É um adolescente que não respeita nada, que não tem limites. Já tem um histórico de agressões. Precisamos pensar em uma medida mais dura."

Segundo a promotora, o garoto já cumpriu medida socioeducativa por agressão em 2016. A vítima foi um colega de classe. No histórico do rapaz há também agressões contra familiares. "Ele [aluno] não tem referências familiares importantes. Não tem família estruturada", disse Tramontin.

O procedimento legal ainda está no âmbito da polícia. Só depois que o caso chegar à Promotoria é que a medida socioeducativa será pedida à Justiça.

O delegado José Klock, da Delegacia de Polícia Civil de Indaial, disse que pretende concluir o inquérito em quatro dias, até a próxima sexta (26). "Há um clamor muito forte para que essa investigação avance. Então vamos dar prioridade a ela."

O policial afirmou que Indaial "é uma cidade pacata, com pessoas educadas" e os moradores "estão chocados com o que aconteceu". "Nós nunca tivemos um caso assim", disse.

POLÍCIA

De acordo com relato da professora à Delegacia de Polícia Civil de Indaial, a agressão aconteceu às 10h de segunda (21), no Ceja (Centro de Educação de Jovens e Adultos) da cidade. Era a primeira aula dela com o aluno. No depoimento, Marcia contou que o rapaz se irritou quando ela pediu que ele tirasse o livro de cima das pernas e colocá-lo sobre a mesa de estudos. O aluno teria se recusado e a xingado.

Ainda segundo o depoimento, a professora pediu para o aluno se retirar da sala e ir até a direção. No caminho, segundo a educadora, o rapaz jogou-lhe o livro, que não a atingiu. A agressão aconteceu na sala da direção. Marcia diz ter levado três socos, a ponto de cair contra a parede. Segundo ela, o aluno "é alto, é forte, é um homem". A professora é magra e mede 1,65 m.

O delegado José Klock afirmou que a professora estava machucada no momento do registro da ocorrência e que ele foi chamado à delegacia e que a polícia ouvirá testemunhas da agressão.

ANTECEDENTES

O conselheiro tutelar Jair Gilmar Gonzaga informou que o aluno denunciado pela professora já "precisou de encaminhamentos anteriores" da repartição, mas não detalhou os motivos. Limitou-se a dizer que foi por "problemas" nas escolas em que já estudou. "O que podemos dizer é que nunca tivemos um caso de agressão com esta magnitude aqui na cidade. É algo atípico", disse.

Uma professora da rede municipal da cidade ouvida pela reportagem disse que o aluno "é agressivo" e que está no Ceja porque não conseguiu fazer os ensinos básico e fundamental com os colegas da mesma faixa de idade. "Ela já bateu em colegas. Bateu até na mãe. É um garoto com problemas sérios de relacionamento, sem orientação", disse a professora, que pediu para não ser identificada.

EXPERIÊNCIA

Marcia Friggi dá aulas de português em mais de uma escola de Indaial, há 12 anos. Ela ficará sete dias em casa, de atestado médico.

"A professora Marcia é uma profissional respeitada. É uma pessoa comedida. Sempre respeitou os alunos", disse Andrea Cordeiro, coordenadora de uma escola onde a professora leciona.

Nesta terça, ela afirmou que o comportamento do aluno "é reflexo da falta de respeito que ocorre em toda a sociedade" e que "na sala de aula isso vem à tona". Marcia disse ter recebido milhares de mensagens de carinho, mas também "manifestações de ódio", o que "não [lhe] surpreende".

Ela afirmou que não tem expectativas sobre o que vai acontecer com o aluno. "A minha parte eu fiz. Não me acovardei. Procurei a polícia, fiz corpo de delito. Agora não é mais comigo."

OUTRO LADO

A reportagem não conseguiu contato com o aluno acusado de agressão, nem com a família dele. Os nomes do rapaz e dos pais não foram fornecidos pelo Ceja, pela Secretaria de Educação, pela Polícia Civil, pelo Conselho Tutelar e pelo juizado da Infância e Juventude.

Até a tarde desta terça, ele também não havia sido ouvido formalmente por nenhuma entidade que pudesse, indiretamente, fornecer sua versão.

A direção do Ceja não comentou o assunto. Informou que só a Secretaria de Educação do município falaria sobre o caso. Em nota, a pasta confirmou a agressão, informou que prestou apoio à professora e declarou que repudia "qualquer tipo de agressão moral ou física independentemente da motivação". "A Secretaria de Educação está acompanhando todos os fatos e continuará prestando o apoio necessário à professora", diz o texto. A nota não faz alusão ao aluno.

O prefeito de Indaial, Andre Moser (PSDB), informou nesta terça que a situação escolar do aluno será discutida nos próximos dias e que a agressão já foi comunicada às autoridades competentes.

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