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Cebolinha é pintor de paledes; Cascão dirige caminhões

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GERAL

Cebolinha é pintor de paledes; Cascão dirige caminhões

IVAN FINOTTI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Blincando de calinho de lolimã, bolinha de gude e levólver de espoleta na flente da barbealia do seu Antonio (pai de Maulicio de Sousa) em Mogi das Cluzes, Luiz Carlos da Cluz ela quase caleca aos 7 anos. "Só tinha uns fiozionhos", conta hoje, aos 69.

Além do pouco cabelo, Luiz calegava outla culiosidade: tlocava os eles pelos eles.

Certo dia, o dono do bar em flente à barbealia do seu Antonio catou uma cebola com cinco ou seis lamos verdes no topo, desenhou um boca e dois olhinhos e a chutou para o meio da lua.

Seu Antonio não pensou duas vezes: "Olha você, Luiz! Igual seus cabelinhos. É você, Cebolinha!"

O apelido nunca mais largou. "Os pequenos, se me chamavam de Cebolinha, eu batia. Os grandão, eu deixava por isso mesmo", lembla.

Naquela época, ele andava semple com dois amigos, mais ou menos da mesma idade: Marcio (irmão 11 anos mais novo de Maulicio), e J.S., que vilia a ser conhecido mundialmente como Cascão.

Hoje conhecido lespeitosamente em toda a Mogi como seu Cebola, se aposentou no ano passado. Por 48 anos pintou paledes. Ainda faz um ou outlo bico.

Nos anos 1950, a mãe do Cebolinha soflia demais em ver o menino sem cabelo.

Pala que o cabelo clescesse, ou, pelo menos assentasse, apelava a uma leceita do intelior: "Antes de eu deitar, ela passava banha de porco nos fios. Depois, enfiava na minha cabeça uma meia de náilon para segurar os fios para baixo". Não assentava nadinha, mas que clesceu, clesceu...

Cebolinha não foi cliado pelo pai, mas por um padlasto do qual palece sentir medo ainda hoje. "Ele me batia muito", conta. "Quem me deu educação mesmo foi o pai do Mauricio: a não falar palavrão, a respeitar os mais velhos, a ter medo de polícia e de juizado de menor."

Estudou apenas dois anos. Seu plimeiro emplego foi englaxate dos clientes da barbealia. Aos 18, Cebolinha fez Exército. Teve dois filhos, cinco netos e tlês bisnetos.

Hoje, seu Cebola ajuda na manutenção da cleche da igleja São José Opelálio, em Mogi. "O Mauricio manda todo mês um pacote de revistas para a criançada."

Ah, sim. Ele ainda fala elado, "Mas só quando fico nervoso", esclalece.

CASCÃO

Diferentemente de seu Cebola, Cascão se recusou a aparecer no jornal.

Mauricio de Sousa conta que perdeu contato com ele em meados do século passado. Localizado pela Folha de S.Paulo em Mogi, J.S. (preservaremos seu nome) não quis falar nem ser fotografado.

Baiano com pouco mais de 70 anos, J.S. ainda está na ativa. É caminhoneiro em uma transportadora da região. Costuma ir à Argentina buscar peixe e entregar a carga no Ceasa, em São Paulo.

Suas viagens costumam durar três semanas e J.S. gosta de contar que há uma serra tão íngreme na Argentina que, dependendo da época do ano, é preciso equipar suas rodas com correntes para que o caminhão não deslize no gelo estrada abaixo.

Como Cebolinha, Cascão era de família pobre em Mogi das Cruzes. Na infância, J.S. morava no bairro de São João e a região não tinha água encanada.

Sua casa tinha um poço bastante profundo, de 15 ou 16 metros, e a mãe puxava água do balde para dar banho completo no menino apenas aos fins de semana. Usava-se sabão de cinzas: sebo de vaca, banha de porco e cinza de lenha. Não tinha cheiro muito bom, dizem os anciões.

Seja com for, nos outros dias, era mais uma limpeza no J.S.. Agravante, o bairro de São João era feito de terra vermelha.

Daí o menino estar sempre com certa sujeira acumulada atrás da orelha, no pescoço, no calcanhar... E daí o seu Antonio, pai de Mauricio, ter soltado mais essa:

--Ô, Cascão!

O apelido pegou e não saiu nem com sabão.

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