Geral

Falha para vigiar Abdelmassih alertou agentes

.

ROGÉRIO PAGNAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um caso emblemático que deixou agentes de segurança em alerta por falhas no monitoramento de tornozeleiras eletrônicas envolveu o ex-médico Roger Abdelmassih, 73.

Condenado a 181 anos por estupros de pacientes de sua clínica, ele conseguiu da Justiça em junho deste ano uma autorização para cumprir sua pena em prisão domiciliar.

Abdelmassih foi para um apartamento de alto padrão no Jardim Paulistano, na zona oeste, onde moram a mulher dele e os dois filhos do casal.

A partir do momento em que chegou em casa, o equipamento do ex-médico passou a enviar informações de que ele poderia estar fugindo. O sinal indicava que Abdelmassih estaria distante do apartamento e se locomovendo em alta velocidade.

Minutos depois, porém, quando as forças de segurança se preparavam para tentar recapturar o preso, os sinais indicavam que ele estava de volta.

Esse tipo de problema, chamado de "saltos" de sinais (quando o aparelho perde a localização e volta em antena de celular muito distante), já é conhecido dos operadores do monitoramento.

No caso do ex-médico, foram tantos "alertas de violação" que os setores de inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária já não conseguiam garantir se o preso -com histórico de fuga anterior- estava ou não em seu apartamento.

Diante da situação, o governo paulista cobrou uma explicação e uma solução. A empresa informou que a tecnologia utilizada nos aparelhos não era eficiente quando se tratava de locais fechados. Tinha "imprecisões na captura de posições".

A solução seria colocar no apartamento de Abdelmassih um roteador especial, "um módulo de monitoramento residencial continuado". A resposta deixou incrédulos técnicos do governo porque o aparelho é para ser usado, em boa parte do tempo, em lugares fechados.

Assim, para garantir o funcionamento ideal, seria necessário um roteador para os outros cerca de 7.000 detentos, algo tecnicamente inviável.

Além disso, a bateria do aparelho de Abdelmassih deu alerta porque não estava devidamente carregada. Funcionários do Estado ligaram para o ex-médico, que informou ser problema do equipamento, já que estava com o dispositivo na tomada.

Um funcionário da secretaria foi enviado ao apartamento de Abdelmassih para a troca da tornozeleira. Após análise do dispositivo, foi confirmado que ele só conseguia recarregar a bateria em 10% da carga total.

O ex-médico está internado atualmente no hospital Israelita Albert Einstein e ainda continua com a tornozeleira eletrônica.