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Elo entre governador alemão e Volkswagen reacende 'dieselgate'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O escândalo que ficou conhecido como dieselgate -em que a montadora alemã Volkswagen admitiu em 2015 ter usado um programa para trapacear testes de emissão de gases em 11 milhões de veículos a diesel em todo o mundo- teve um novo capítulo para a política da Alemanha.

No fim de semana, o tabloide "Bild am Sonntag" revelou que o governador do Estado da Baixa Saxônia, Stephan Weil, enviou ao departamento jurídico da Volkswagen um rascunho de um discurso que faria sobre a fraude das emissões de gás, em outubro de 2015, para que a empresa fizesse as alterações que desejasse.

Segundo o jornal, parte das sugestões de mudança do texto foi aceita por Weil; "passagens problemáticas" foram excluídas, e "formulações positivas", inseridas.

A Baixa Saxônia abriga a sede da Volkswagen, na cidade de Wolfsburgo, e a montadora é responsável por cerca de 100 mil empregos no Estado.

Por uma lei federal, o governo estadual detém 20% das ações da companhia e possui duas cadeiras no conselho administrativo Ðuma delas é justamente ocupada pelo governador.

O gabinete de Weil reconheceu, no domingo (6), que ele enviou o texto à Volkswagen antes de fazer sua declaração à imprensa, mas negou que o governador tenha suavizado as críticas à empresa.

De acordo com sua assessoria, o objetivo era apenas "certificar-se de que nenhum comunicado público tivesse imprecisões legais ou factuais" diante do fato de que já havia processos contra a montadora em andamento nos EUA.

Também no domingo, um porta-voz da Volkswagen minimizou o episódio e disse ser comum a prática de membros do conselho consultarem a empresa sobre declarações ao público.

O caso fez a imprensa alemã voltar a questionar a proximidade das autoridades com as empresas automobilísticas e o poder que elas exercem no país -afinal, trata-se do principal setor exportador da Alemanha e que emprega aproximadamente 800 mil pessoas.

Um dos debates é rever a chamada "Lei Volkswagen", que dá ao governo da Baixa Saxônia não só participação no conselho, mas também direito de veto nas questões envolvendo os outros acionistas.

Para os críticos da legislação, há um conflito entre o interesse público e privado quando um governador de Estado faz parte das decisões da montadora e, ao mesmo tempo, precisa se posicionar sobre problemas desta mesma empresa.

ELEIÇÕES

Filiado ao Partido Social-Democrata (SPD), Weil diz que não vai ceder a pressão dos conservadores para que renuncie ao cargo.

No entanto, ele já passava por um desgaste político desde que perdeu maioria na coalizão do Parlamento da Baixa Saxônia. Por isso, foi obrigado a convocar eleições antecipadas, para 15 de outubro -em 24 de setembro, ocorre o pleito federal, em que a chanceler conservadora Angela Merkel é favorita para obter seu quarto mandato.

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