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Professores em greve da Uerj protestam contra atraso de salários e bolsas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os professores da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em greve desde a última terça-feira (1º), protestaram nesta quinta-feira (3), em frente à entrada principal do campus Maracanã, zona norte da capital fluminense. A manifestação ocorreu por causa dos atrasos nos salários e nas bolsas acadêmicas, além de expor as más condições de trabalho nas unidades e no hospital universitário.

O ato também discutiu a crise da educação pública com atividades culturais, musicais e uma aula aberta. As informações são da Agência Brasil.

O diretor da Associação dos Docentes da Uerj, Guilherme Vargues, informou que haverá um calendário de atividades para envolver os demais servidores prejudicados com a crise no estado e também a sociedade. “O que não tem cabimento é a ausência total de isonomia por parte do governo do estado. Ele escolhe quem paga e a educação pública tem ficado para trás. E ainda não obtivemos uma resposta do governo. Precisamos de um projeto estrutural para salvar a Uerj”, disse o profissional que também é professor da Faculdade de Educação. “Chegamos ao limite, são quase quatro meses de salários e bolsas com atraso, décimo-terceiro de 2016 não pago, o restaurante universitário fechado. É uma crise que afeta bolsistas de pós-graduação, projetos de pesquisa”, destacou, citando ainda o Hospital Pedro Ernesto, ligado à universidade, que oferece atendimento de ponta para doenças mais complexas e está com muita dificuldade de operar.

A greve dos professores da Uerj foi aprovada em assembleia na última terça, um dia após a reunião do conselho de diretores da universidade definir que o ano letivo de 2017, previsto para começar em 1º de agosto, será adiado por tempo indeterminado. A próxima assembleia dos professores da Uerj, que soma 41.295 estudantes espalhados em 13 unidades, está marcada para o dia 17.

Na última segunda-feira (31), a Justiça do Rio determinou o arresto de verba diária das contas do governo do Estado até que se chegue à quantia de R$ 7,5 milhões para o pagamento do custeio do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, zona norte do Rio, que funciona como hospital-escola para os cursos da área biomédica da Uerj.

Até a publicação deste texto, as assessorias da Secretaria de Ciência e Tecnologia e da Fazenda não haviam se pronunciado sobre o teor das críticas em relação ao governo do estado.

FRUSTRAÇÃO

Cotista e mestrando bolsista, o estudante de história Eden Pereira Lopes da Silva, 22 anos, esperava se formar em 2018, antes da crise na instituição. Agora, sem bolsa e sem aulas, a frustração em relação ao futuro é imensa. “Me sinto congelado no tempo. Quando entramos na universidade, fazemos um monte de planos, um planejamento para nossa vida, com o objetivo de se formar e arranjar um emprego. Essa é uma situação desestimulante e triste.”

O atraso de mais de três meses do pagamento da bolsa tem afetado também o sustento em casa, explicou o estudante que usa parte do auxílio para ajudar a família. “Além disso, moro muito longe da Uerj, em Campo Grande, e preciso tomar seis conduções por dia e o bilhete único universitário só cobre quatro, sem contar comida, xerox e um monte de coisas que temos que fazer na universidade que geram custos.”

Para ele, a greve dos professores é legítima e tem seu apoio. “Sem bandejão [restaurante universitário], sem os salários regularizados dos terceirizados e dos professores, sem bolsa para os alunos não há condições de voltarmos a ter aulas normalmente”, declara. “Precisamos de condições mínimas, há problemas com os elevadores, com a limpeza também”.

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