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Militares reduzirão presença nas ruas do Rio e passarão atuar contra tráfico

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LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - As tropas federais que chegaram no Rio na sexta-feira permanecerão nas ruas durante um período e, depois, reduzirão sua presença nas ruas para focar no combate ao crime organizado, com operações contra o tráfico de drogas e a milícia. A informação foi confirmada neste sábado (29) pelo ministro da Justiça Raul Jungman.

Desde que foi firmado acordo para o envio 10 mil homens de tropas federais ao Rio que Jungman diz que o foco não seria o emprego de militares no patrulhamento ostensivo nas ruas, como ocorrido durante as Olimpíadas, por exemplo.

Cariocas, contudo, se surpreenderam quando, desde sexta-feira (28), militares das Forças Armadas passaram a ocupar as ruas em patrulhas com veículos e armamento pesado, justamente o contrário do que havia sido dito pelo ministro.

Tanques de guerra foram posicionados em locais como a Linha Vermelha e em frente aos aeroportos Santos Dumont e Galeão. Homens do exército ocuparam pontos turísticos, como a orla da zona sul do Rio. Dois blindados passaram a tarde deste sábado postados em frente ao Museu do Amanhã, na zona portuária, criando um ponto para selfies de turistas e curiosos.

Jungman explicou que a presença ostensiva dos militares é a primeira parte da operação e não é seu principal foco. Em entrevista coletiva neste sábado, as autoridades envolvidas no projeto afirmaram que o objetivo da presença militar em massa nas ruas era melhorar a sensação de segurança da população do Estado, que vive a disparada dos índices de violência.

A população reagiu positivamente à medida, apesar do caráter mais midiático do que efetivo contra o crime.

Motoristas que passavam por uma blitz do Exército na Linha Vermelha na noite de sexta-feira aplaudiam a presença dos militares, já que a via expressa é constante alvo de arrastões.

O general do Exército que comanda a operação no Rio, Mauro Sinott, acrescentou que a presença nas ruas também é parte do trabalho de reconhecimento do terreno que os militares irão atuar nas próximas fases do projeto, quando começarem as operações de fato.

Militares invadirão áreas dominadas por criminosos em busca de armamentos e drogas, em operações conjuntas com as polícias estaduais.

O ministro garantiu que serão feitas operações contra a milícia, grupos paramilitares formados por policiais que exploram serviços públicos e de segurança em parte do território do Rio. Esses grupos têm forte ligação com políticos do Estado e é histórica a falta de uma política pública de combate a efetiva às milícias.

O ministro disse que as ações contarão com o fator surpresa para obter sucesso. Por esse motivo ele não quis divulgar quando os militares deixarão a presença ostensiva nas ruas para dar início a fase que será focada no combate ao crime organizado.

"O patrulhamento será de curta duração. Quero dizer que já estamos preparando a próxima fase do projeto, que é chegar no centro de comando e nos arsenais dessas organizações para reduzir o fluxo de drogas e armas", disse Jungman. "A lógica não é a da presença ostensiva [de militares nas ruas], mas ela poderá ocorrer em caso de necessidade".

O ministro ressaltou a diferença do caso atual com o das Olimpíadas e também da ocupação pelo Exército do Complexo da Maré, na zona norte, em 2014. Nessas ocasiões, disse ele, a presença ostensiva das forças federais reduziram os índices de crimes, que voltaram a ocorrer na ocasião da saída das tropas. O objetivo agora, reforçou, é desarticular quadrilhas.

"Não se golpeia o crime com ostensividade, porque em situações como essa [Olimpíada], o exército vem, aumenta a sensação de segurança, o crime organizado tira umas férias, e quando a operação acaba, todos os problemas voltam", disse.

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