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Clérigo do Irã vê ódio em quem criticou sua vinda ao Brasil

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GUILHERME MAGALHÃES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em sua primeira visita ao Brasil, o clérigo do Irã Mohsen Araki, 61, atraiu críticas de líderes religiosos que o acusam de pregar um discurso de ódio, especialmente contra o Estado de Israel.

O aiatolá, nascido no Iraque, defende um referendo realizado pela ONU sobre a formação de um único Estado na Palestina como "única forma que pode nos levar a uma paz definitiva, que vai atender aos objetivos dos muçulmanos, judeus e cristãos".

"Se as pessoas consideram essa sugestão como a extinção de um Estado, então eles interpretam da forma como querem", afirmou o aiatolá nesta sexta (28), em entrevista à reportagem.

Em ofícios enviados na semana passada ao Ministério da Justiça e ao Ministério das Relações Exteriores, a secretária municipal de Direitos Humanos do Rio, Teresa Bergher, pediu que a entrada de Araki no país fosse barrada por ele proferir "com frequência discursos de ódio".

Líderes do cristianismo, judaísmo e islamismo publicaram nota na quarta-feira (26), um dia antes da chegada de Araki ao país, alertando "contra qualquer discurso destinado a propagar o ódio entre nossas comunidades".

O clérigo reagiu: "Eles alegam o diálogo e a convivência tentando nos proibir de entrar no Brasil", disse. "Esse ambiente que temos, de ódio e condenação, quem criou esse ambiente, essa polêmica? Foram eles."

Araki é um dos 88 membros da Assembleia dos Especialistas, instância formada por clérigos eleitos para mandatos de oito anos e responsável por indicar o líder supremo do Ir㠗cargo máximo, ocupado desde 1989 pelo aiatolá Ali Khamenei.

Em São Paulo, o clérigo participa de um evento organizado pelo Centro Islâmico no Brasil, neste sábado (29), sobre o combate ao terrorismo.

"Estranhamos que alguns grupos condenem um evento que apoia a convivência pacífica, o diálogo entre os povos, que quer levar a mensagem verdadeira do islã", disse.

ESTADOS UNIDOS

O aiatolá afirma ver "um papel negativo" dos EUA no Oriente Médio. O caso mais recente, diz, é a crise diplomática no golfo Pérsico com Arábia Saudita e Qatar.

Liderados pelos sauditas, quatro países romperam relações com o Qatar alegando que Doha apoia o terrorismo. A proximidade com o Irã, único país da região em que o ramo xiita dos islã predomina e que é inimigo dos sauditas, foi um catalisador da decisão.

O movimento se deu duas semanas após a visita do presidente americano, Donald Trump, a Riad, onde ele pediu aos muçulmanos mobilização contra o extremismo.

"Os americanos foram até a Arábia Saudita e levaram bilhões", diz. "Quantas guerras foram provocados nessa região, e quem lucra com isso? As empresas de armas, os investidores americanos."

Defensor do acordo nuclear firmado em 2015 entre Teerã e países ocidentais, Araki avalia que as novas sanções ao Irã anunciadas por Trump são um "risco à permanência" do país no pacto.

"A falta de respeito dos americanos com as condições do acordo o está abalando."

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