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Rebelião causa incêndio em centro de detenção provisória de Pinheiros

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PAULO GOMES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma rebelião de internos em uma das unidades do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, causou um incêndio de grandes proporções na manhã desta segunda-feira (24).

Os detentos alimentaram as chamas com colchões, roupas e outros materiais. Os bombeiros foram acionados e controlaram o fogo.

A SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) disse, em nota, que o motim ocorreu após presos se envolverem em um ato de indisciplina, ateando fogo em colchões.

A pasta informou também que o Grupo de Intervenção Rápida foi acionado e entrou na unidade para conter a rebelião. Ainda conforme a secretaria, não há reféns e por enquanto não há informações de feridos.

Amontoados no portão do CDP, familiares de internos pedem pela presença do diretor da unidade e fazem ameaças de denúncias por maus tratos. Chorando, uma senhora grita "quero ver o meu filho".

"Faz sete meses que eu não vejo o meu filho, eles não me deixam fazer a carteirinha", diz Eugênia de Oliveira, 52. "Estava vindo pra cá pra fazer [o documento que permite a entrada para visitação] quando vi o fogo", afirma.

"Se eles fizeram isso [a rebelião], é porque tem motivo. Se a gente é maltratado, imagina quem está lá dentro", diz Eugênia. Ela conta que além de ser impedida de visitar o filho, não pode enviar nada para ele.

Na semana passada, em que a cidade teve os dias mais frios do ano, Eugênia teve barrada a tentativa de dar um cobertor para o filho, que cumpre pena por tráfico de drogas -forjado, segundo a mãe. "Falaram que vagabundo não merece coberta, que tem que passar frio mesmo."

"Nossa família sofre dentro desse muro. Nossos filhos apanham lá dentro e eles não querem que a TV mostre. A gente não sabe nem se ele está vivo", lamenta.

Após a extinção do fogo, os policiais reuniram os internos no pátio da unidade para fazer a revista e a contagem de presos.

A costureira Maria Sueli, 62, mãe de um detento que aguarda julgamento também por tráfico, informou que, devido à rebelião, foram suspensas as visitas aos finais de semana e também a entrega de mantimentos por familiares, conhecida como jumbo. "Eu estava entregando o jumbo quando começou o fogo e a gente teve que sair. Agora me chamaram para devolver", diz, com a sacola com pães, salame, refrigerantes e cigarros.

No portão, duas mães conversam. "Mas esses meninos não podem fazer isso, sair tacando fogo", diz uma. "Eles podem e devem", interrompe a outra. "Pelos direitos deles. Eles recebem comida azeda, não tem água. Chega carta e eles [a administração] jogam no lixo." Às 16h, carros da força tática da Polícia Militar entraram no presídio. Após cerca de uma hora, carros da PM deixaram o CDP, escoltando um ônibus e dois caminhões-baú da SAP. A pasta ainda não se manifestou sobre transferência de presos.

Após a saída dos veículos, parte dos cerca de 170 familiares presentes no portão do CDP interditaram o trânsito na avenida das Nações Unidas. Elas demandam a presença do diretor da unidade para informar o estado dos presos.

DRONE

O trânsito chegou a ser interditado em vias da região e foi liberado às 15h10. Às 14h25, três homens do Grupo de Intervenção Rápida saíram correndo armados de dentro do presídio. Parentes de presos pediram que eles não atirassem em fugitivos e hostilizaram os policiais, com gritos de "assassinos".

Não se tratava de fuga, no entanto, mas de um cinegrafista de uma emissora de TV que, em um viaduto próximo, utilizava um drone para captar imagens do pátio. O drone foi apreendido e o cinegrafista levado para dentro do CDP.

Não há informações de danos estruturais à unidade prisional.

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