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ATUALIZADA - Morre a escritora Elvira Vigna, em São Paulo, aos 69 anos

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MAURÍCIO MEIRELES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A escritora Elvira Vigna, um dos grandes nomes da ficção contemporânea brasileira, morreu aos 69 anos em São Paulo. A informação foi publicada em sua página no Facebook.

De acordo com o post, Vigna foi diagnosticada, em 2012, com um carcinoma micropapilar invasido -mas não quis que a doença viesse a público porque "passaria automaticamente a ser excluída das atividades profissionais que dependessem de convite".

A doença se agravou no fim do ano passado. E ela estava internada desde fevereiro no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

"Esperamos que a sua produtividade sirva de exemplo e estímulo para que todos aqueles que passem por dificuldades não abram mão de quem são, do que fazem e do que querem fazer", diz a nota publicada em seu perfil.

Nos últimos anos, ela vivia um grande momento em sua carreira literária. Depois do diagnóstico do carcinoma, publicou sete livros e traduziu outros quatro.

"Minha mãe foi uma pessoa que lutou muito para fazer o que queria fazer. Com dignidade, com muita força. Era uma pessoa muito verdadeira. É esse o legado que ela deixa para a família", diz Carolina Vigna, filha da autora.

Como a autora não era religiosa, assim como sua família, não haverá missa ou cerimônia. Vigna será cremada.

Em 2016, recebeu o Prêmio APCA de melhor romance, por "Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas" (Companhia das Letras), seu último livro. A crítica publicada na Folha de S.Paulo sobre a obra dizia que o trabalho da autora tinha chegado a "um novo patamar".

"A impressão que se tem é que Vigna finalmente mostra os dentes, em um gesto que é simultaneamente um esgar agressivo e uma gargalhada", dizia a resenha.

Em 2010, Vigna venceu o prêmio Machado de Assis por "Nada a Dizer". E também chegou à final de outros dos principais prêmios literários do país, como o Jabuti, o São Paulo e o Portugal Telecom.

A autora deixou ainda três livros para serem publicados.

Ela nasceu no Rio de Janeiro, em 1947, mas vivia em São Paulo. Além de escritora, era tradutora, ensaísta e artista plástica. Também trabalhou como jornalista, em veículos como "Correio da Manhã", "O Globo" e na Folha de S.Paulo.

Formada em literatura pela Universidade de Nancy, da França, Vigna também era mestre em teoria da significação pela UFRJ. Ela também atuava como artista plástica, inclusive ilustrando alguns de seus livros infantis.

A escritora deixa o marido e, além de Carolina, mais um filho, David.

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