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ATUALIZADA - Temer chega ao G20 com agenda curta e imagem brasileira apagada

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INCLUI G20-REÚNE 2

DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

HAMBURGO, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Depois de cancelar e descancelar sua viagem, o presidente brasileiro, Michel Temer, chega à Alemanha na madrugada desta sexta (7) para a cúpula do G20, sob o risco de passar despercebido.

Com o vaivém —ele só anunciou na segunda-feira que de fato viria— Temer não tem nenhuma reunião bilateral prevista com outro líder internacional. O presidente tampouco deve se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel, algo que estava inicialmente planejado.

O programa oficial distribuído à imprensa ainda registra como chefe da delegação brasileira o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e não Temer. Era o arranjo previsto caso o presidente não viajasse. O material na internet já foi corrigido.

A indecisão do governo está relacionada à crise política. A aterrissagem de Temer em Hamburgo às 5h15 locais (0h15 em Brasília) coincide com as negociações em Brasília para barrar na Câmara a denúncia de corrupção passiva contra ele.

A viagem do presidente, apesar mantida, deve ser mais curta do que era previsto. Temer embarca de volta a Brasília no início da tarde de sábado, perdendo os últimos compromissos do dia.

"Há a sensação de que o Brasil está consumido por desafios políticos e não deve desempenhar o papel que teve no passado", afirma à reportagem Thomas Bernes, do Centro Internacional para a Inovação na Governança.

A comitiva liderada por Temer tem cerca de 15 pessoas, incluindo embaixadores, assessores da Fazenda, a assessoria internacional do presidente e o cerimonial.

Do gabinete, estão confirmados o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o chanceler Aloysio Nunes.

A imprensa alemã relatou que o Brasil pediu o credenciamento de 13 seguranças armados, número considerado alto. Os EUA teriam pedido 11. Mas os governos brasileiro e alemão não confirmaram a informação à reportagem.

Temer participará de uma reunião dos Brics (que inclui ainda a China, a Rússia, a Índia e a África do Sul).

Estão também na agenda uma reunião informal com os líderes do G20, um almoço de trabalho e um concerto na Filarmônica local.

DIVERGÊNCIAS

Líderes do G20 —19 países somados à União Europeia— se reúnem desde 2008 —anualmente e, no auge da crise global, semestralmente— para tratar de economia e de temas de política internacional.

Segundo fontes familiarizadas com o processo, o Brasil deve defender posições semelhantes às da UE. O país concorda com o Acordo de Paris sobre o clima e quer manter o sistema multilateral de comércio —dois temas em que Trump discorda.

A migração também é um tema relevante, e a posição brasileira será apresentada como mais flexível do que a dos EUA, que têm negado vistos a viajantes vindos de seis países de maioria muçulmana. Para o Brasil, o foco está em haitianos e venezuelanos.

Em meio a esses debates, Temer foi aconselhado a se aproximar de Trump, durante a cúpula, para tratar da entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). Washington não apoia a expansão do órgão global.

Uma fonte diplomática ouvida pela reportagem, porém, diz que a resistência americana não se relaciona especificamente ao Brasil, mas ao inchaço do órgão, e o Itamaraty conduz gestões com os países-membros para a adesão.

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Edhucca

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