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ATUALIZADA - EUA ameaçam usar força militar na Coreia do Norte

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Os EUA usaram a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para anunciar, nesta quarta (5), que estão prontos para usar força militar contra a Coreia do Norte. O país realizara, na véspera, um teste com um míssil balístico que alega ser capaz de atingir o Alasca.

O recado foi dado pela embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, que classificou o teste como uma "clara e nítida escalada militar" por parte de Pyongyang.

Na reunião, ela pressionou os países-membros a aprovarem novas sanções contra a Coreia do Norte e disse à China que o comércio entre os dois países está sob risco se Pequim seguir seus negócios com o regime de Kim Jong-un.

O endurecimento ocorre às vésperas dos encontros bilaterais de Donald Trump com os presidentes Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia, às margens da reunião do G20, na Alemanha.

"Os EUA estão preparados para usar todas as nossas capacidades para nos defender e defender nossos aliados. Uma delas é a nossa considerável força militar", disse Haley. "Vamos usá-la se preciso, mas preferimos não ter que ir nesta direção."

Mais cedo, o general Vincent Brooks, comandante das tropas americanas na Coreia do Sul, dissera que a "autocontenção" de Washington e Seul era o que estava evitando uma guerra com Pyongyang.

Na ONU, Haley afirmou que os EUA vão propor novas sanções à Coreia do Norte nos próximos dias, mencionando apenas que elas podem ser nas áreas de energia e comércio. "O tempo é curto, e uma ação é necessária. Se agirmos juntos, ainda podemos salvar o mundo de uma catástrofe", declarou.

Os representantes de China e Rússia, que têm direito a veto no conselho, já demonstraram, contudo, que seus governos não estão dispostos a apoiar novas sanções.

Os dois defenderam o caminho do dialogo com Pyongyang e pediram que os EUA freiem a instalação de um sistema de defesa antimísseis na vizinha Coreia do Sul.

"Pedimos que todas as partes preocupadas exercitem o comedimento, evitem ações provocativas e retórica beligerante", disse o embaixador chinês na ONU, Liu Jieyi.

COMÉRCIO

Numa ameaça dirigida especialmente à China, Haley disse que os EUA podem retaliar os países que "escolherem fazer negócios com esse regime criminoso".

"Há países permitindo, inclusive estimulando, o comércio com a Coreia do Norte. (...) Nossa atitude [dos EUA] sobre comércio muda quando os países não tratam com seriedade as ameaças de segurança internacional."

O próprio Trump, antes de embarcar nesta quarta para a Polônia, escala para o G20, havia sugerido romper acordos comerciais com "países que não ajudam" os EUA.

"O comércio entre a China e a Coreia do Norte cresceu quase 40% no primeiro trimestre. É muito, considerando que a China está trabalhando conosco —mas temos que dar uma chance!", escreveu Trump menos de dez minutos depois nas redes sociais.

Desde a visita de Xi Jinping aos EUA, no começo de abril, o governo Trump tinha suavizado as críticas a Pequim e vinha celebrando o apoio da China para tentar conter a Coreia do Norte.

O teste com míssil desta semana, porém, anuncia uma reunião bem mais tensa entre os dois líderes em Hamburgo.

A ação também deve colocar a Coreia do Norte como assunto prioritário no primeiro encontro entre Trump e Putin, que já tinha na agenda assuntos espinhosos, como Síria, Ucrânia, as provas de tentativa de interferência de Moscou nas eleições de 2016 e as investigações do FBI sobre o tema, e as sanções impostas à Rússia pelos EUA.

Na última terça, após uma conversa entre Putin e Xi, os dois países sugeriram um plano de desescalada que previa a suspensão do programa de mísseis por Pyongyang e uma moratória nos exercícios de grande escala com mísseis por Seul e Washington.

Horas depois, os EUA sinalizaram sua pouca disposição em aceitar a negociação, lançando um teste de mísseis conjunto com a Coreia do Sul.

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