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Organizações sociais e multinacional se unem para ampliar acesso à água

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PATRICIA PAMPLONA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em uma realidade em que distâncias se medem por horas de barco, a iniciativa Água+Acesso reúne uma multinacional e organizações sociais para recolher boas ideias que levem água para comunidades da região Norte onde, contraditoriamente, o bem para consumo humano é escasso.

No edital, o primeiro na plataforma Movimento Coletivo, R$ 600 mil serão destinados a soluções para os nove desafios elaborados –que vão desde energia para bombeamento até alta concentração de ferro e manganês. Os projetos devem melhorar acesso a água, tanto no Norte como no Nordeste do país.

Os principais entraves incluem criação de tecnologias mais baratas para perfuração de poços, tratamento de água e geração de energia com fontes renováveis, explica Pedro Massa, diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola, empresa que encabeça a aliança.

Para identificá-los, a multinacional fez um mapeamento dessas áreas, onde 35 milhões de pessoas não têm acesso à água, junto com organizações sociais que já trabalham nas regiões Norte e Nordeste.

Uma dessas instituições é o Projeto Saúde e Alegria, fundado em 1985 pelo médico Eugênio Scannavino Neto para estimular a cidadania e apoiar o desenvolvimento comunitário sustentável na Amazônia paraense.

"Trabalhamos com água há muitos anos. A primeira cisterna foi instalada há 25 anos", conta Davide Pompermaier, coordenador da área que cuida do acesso à água. "Levamos água e infraestrutura a unidades de conservação e comunidades ribeirinhas isoladas, onde o poder público não chega."

Por esse conhecimento, o Saúde e Alegria integra a força-tarefa como uma das organizações que farão o meio de campo entre as soluções propostas e as comunidades locais.

PARCERIA

A aliança que gerencia o programa inclui, ainda, Instituto Coca-Cola Brasil, Banco do Nordeste, WTT (World Transforming Technologies), Fundação Avina, Fundação Amazonas Sustentável, SISAR e Instituto Trata Brasil.

A ideia de unir as forças, segundo Rodrigo Brito, coordenador do programa no Instituto Coca-Cola Brasil e integrante da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, vem da grandeza do desafio de solucionar o acesso à água potável. "50% das soluções para o acesso à água na América Latina fracassam e viram elefantes brancos", diz. "Decidimos nos unir a quem já faz bem e há muito tempo."

Ideia que vai ao encontro do que afirma Pedro Massa. "Não vai ser a iniciativa de uma ou outra empresa que vai solucionar. O que vai resolver é uma aliança."

O programa, inicialmente direcionado às regiões Norte e Nordeste pela alta demanda, deve ser expandido, segundo o diretor da Coca-Cola. "Vamos investir em soluções mais propositivas para implementar no campo, nos territórios de atuação dos parceiros", explica. "Depois de testadas, vamos escalando para outros territórios."

Para Brito, outro ponto importante da iniciativa é a sua sustentabilidade. "O programa deve oferecer um menu de soluções em modelos autossustentáveis para as comunidades", afirma. "A perspectiva é que essa aliança, daqui a cinco, dez anos, não dependa da Coca-Cola."

As inscrições de projetos no edital Água+Acesso podem ser feitas pelo site até 7 de julho. As iniciativas selecionadas serão anunciadas em 4 de agosto, e a implementação dos pilotos deve começar em 5 de agosto.

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