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ATUALIZADA - Projeto do Trumpcare no Senado já enfrenta oposição

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A liderança republicana no Senado mal havia divulgado a sua versão do projeto para substituir a lei de saúde implementada por Barack Obama e quatro senadores do partido já anunciavam formalmente sua oposição ao texto nesta quinta (22) —o que inviabilizaria sua aprovação na votação prevista para a próxima semana.

Um levantamento feito pelo jornal "The Washington Post" mostrava cenário ainda pior: 12 senadores republicanos, entre conservadores e moderados, teriam alguma reserva em relação ao texto.

Para que a proposta passe e o presidente Donald Trump consiga cumprir uma de suas principais promessas de campanha, o líder da maioria na Casa, Mitch McConnell, não pode perder mais do que dois votos dos 52 que o partido tem no Senado.

O texto, que vinha sendo discutido a portas fechadas nas últimas semanas, é, em alguns aspectos, mais moderado que o aprovado com apenas um voto a mais do que o necessário na Câmara.

O documento, porém, também prevê o fim da verba federal para incentivar os Estados a expandirem o Medicaid —sistema público voltado à população mais pobre— e o fim do aumento de impostos para os mais ricos para financiar a saúde.

As principais mudanças em relação ao projeto da Câmara são sobre os créditos fiscais, que teriam, segundo a nova proposta, sua concessão prevista com base em idade, renda e endereço, como é hoje no Obamacare. O texto da Câmara previa que os créditos tivessem a idade como critério principal.

O que muda do projeto do Senado para o Obamacare é que os créditos só servirão para cobrir um plano de saúde mais simples —e o limite de renda para uma família receber o benefício será menor.

O fim do incentivo ao Medicaid nos Estados também será mais gradual pela proposta do Senado, passando a valer só daqui a três anos (pelo texto da Câmara, seria a partir do próximo ano).

Como no projeto da Câmara, o texto dos senadores também prevê o fim da obrigatoriedade a todos os americanos acima da linha da pobreza para que contratem um plano básico de saúde. Também as empresas com mais de 50 empregados não seriam mais obrigadas a pagar planos de saúde para ao menos 95% dos funcionários.

Os conservadores Ted Cruz, Rand Paul, Ron Johnson e Mike Lee, disseram, em comunicado, não estarem "prontos" para apoiar a proposta. Segundo eles, como apresentada, "não cumpre a mais importante promessa feita aos americanos: revogar o Obamacare e reduzir os seus gastos com saúde".

Eles, contudo, demonstraram abertura para negociar até a votação.

Nomes mais moderados do partido criticam outros pontos —o que torna ainda mais complicado o equilíbrio em relação às demandas dos senadores republicanos.

Susan Collins e Lisa Murkowski, por exemplo, se opõem à previsão da suspensão, por um ano, no financiamento à Planned Parenthood —organização pró-aborto e de assistência a mulheres.

Parlamentares de Estados que expandiram o Medicaid temem a reação negativa de seus eleitores. "Tenho uma séria preocupação do impacto dessa lei sobre os moradores de Nevada", disse Dean Heller, de Nevada, candidato à reeleição em 2018.

Na Câmara, republicanos adiaram a votação por não ter votos suficientes e depois fizeram concessões à ala mais conservadora para obter a aprovação. No fim do dia, Trump demonstrou forte apoio ao projeto: "Lembrem-se, o Obamacare morreu."

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