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Passageiro filma queda de avião em rio da Amazônia; piloto morre em resgate

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DHIEGO MAIA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um passageiro de um avião monomotor filmou a pane e a queda da aeronave em que estava num rio caudaloso da Amazônia.

O registro impressiona pelo autocontrole do técnico de enfermagem Ednilson Cardoso, 28, e pela técnica do piloto Elcides Rodrigues Pereira, 64, minutos antes da queda.

O vídeo tem 1 minuto e 33 segundos de duração. As imagens mostram Elcides Pereira comunicando o pouso forçado que faria sobre o rio Catrimani, que está localizado na Terra Indígena Yanomami, na porção sul de Roraima.

"Estou em cima do rio Catrimani. Vou jogar nele", afirma Pereira na gravação. Nos minutos seguintes, o técnico Ednilson Cardoso diz com muita calma. "A gente está caindo agora."

O piloto decide desligar o avião. As hélices param, o silêncio impera e o monomotor começa a planar. O que se vê no horizonte é uma imensidão verde e o rio, abaixo, serpenteando as árvores.

Pereira consegue manter o avião flutuando sobre o rio Catrimani por poucos segundos, quando, o vídeo acaba com a aeronave engolida pelas águas. Não há gritaria e nenhum desespero.

O acidente aconteceu na tarde da última quarta-feira (14). Piloto e passageiro sobreviveram à queda. Mas só um deles saiu vivo do resgate.

RESGATE

O piloto e o técnico de enfermagem esperaram horas pelo resgate. Eles permaneceram agarrados em árvores numa região de difícil acesso na terra dos Yanomamis.

A aeronave onde eles estavam pertence à empresa Paramazônia Táxi Aéreo, que decidiu por conta própria resgatar a dupla sem comunicar o Corpo de Bombeiros.

A empresa Paramazônia Táxi Aéreo prestava serviço para o Distrito Sanitário Indígena Yanomami havia quatro anos, segundo o Ministério da Saúde. Ednilson Cardoso é técnico de enfermagem da Sesai (Serviço Especial de Saúde Indígena) e faz viagens frequentes entre Boa Vista, a capital de Roraima, e a Terra Indígena dos Yanomamis, onde trabalha.

A Paramazônia encaminhou um helicóptero para o local do acidente. De forma improvisada, os regatistas da empresa jogaram uma corda no rio. O técnico de enfermagem a amarrou junto ao corpo e conseguiu subir até o helicóptero.

O piloto Elcides Pereira não teve a mesma sorte. Muito debilitado, não conseguiu subir e caiu no rio novamente. O corpo do piloto só foi encontrado quatro dias depois, no último sábado (17), numa operação organizada, desta vez, pelo Corpo de Bombeiros.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Doriedson Silva Ribeiro, que chefia o Corpo de Bombeiros de Roraima, confirmou que a empresa não comunicou o acidente aos bombeiros.

"O acidente aconteceu às 14h e só fomos comunicados às 19h só depois que eles não conseguiram resgatar o piloto", disse o comandante.

O resgate do corpo do piloto demorou, diz Ribeiro, em razão das condições do rio, que nesta época do ano está cheio e tem muitas curvas e correntezas.

Após o resgate mal-sucedido, a Paramazônia levou três especialistas de mergulho do Corpo de Bombeiros até o local do acidente. A aeronave pousou numa pista na terra indígena e a equipe levou mais seis horas de barco para chegar até o ponto exato onde o monomotor submergiu.

"Só o Corpo de Bombeiros está capacitado para fazer resgates como esse. A chance de sucesso aumenta quando o órgão é comunicado imediatamente", disse o comandante dos bombeiros de Roraima.

INVESTIGAÇÕES

A Força Aérea Brasileira foi procurada e informou, por meio de nota, que o Centro de Controle de Área Amazônico foi notificado, às 14h25 (horário de Manaus) daquela quarta, por meio de uma outra aeronave que voava na região, de que o monomotor da Paramazônia realizaria um pouso de emergência no rio Catrimani.

A partir de então, segundo a Aeronáutica, todos os procedimentos técnicos foram tomados, como a alocação de uma aeronave para resgatar os sobreviventes.

A FAB esclareceu, no entanto, que a empresa a procurou dizendo que faria por conta própria o resgate dos sobreviventes. Mas, segundo a força aérea, não houve comunicação posterior sobre o resgate frustrado do piloto, que caiu no rio e morreu afogado.

A reportagem entrou em contato com o proprietário da Paramazônia Táxi Aéreo. Arthur Neto se recusou a falar sobre o acidente.

A FAB disse ainda que já encaminhou uma equipe do SERIPA (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) ao local para investigar as causas do acidente.

O Ministério da Saúde também informou por nota que acompanha os desdobramentos das investigações.