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Movimento de Macron se ampara em jovens sem passado político

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

BORDEAUX, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O movimento República em Frente!, do presidente francês, Emmanuel Macron, foi tomado na quinta-feira (15) por jovens sem experiência política, em uma última mensagem a seu eleitorado.

A campanha na região de Gironde, no oeste do país, foi controlada durante todo o dia pela organização Jovens com Macron, liderada por uma estudante de 18 anos.

A proposta sublinhou um dos diferenciais do movimento, que deve vencer o segundo turno das legislativas no domingo (18): o frescor.

Projeções indicam que essa República em Frente! receberá até 455 assentos da Assembleia Nacional, composta por 577 cadeiras.

A média de idade de seus candidatos é de 46 anos, enquanto a média da Assembleia atual está em 60 anos.

"Dizemos ser um movimento de renovação política", diz Clémence Guilleminot, 18, líder dos Jovens com Macron. "Se os nossos candidatos tivessem 55 anos, não faria sentido."

Guilleminot se uniu à República em Frente! em abril de 2016. "Queria estar em contato com todas as pessoas", diz. A campanha do movimento, mais do que a de seus rivais, foi marcada pelo intenso corpo a corpo.

Nesse processo, os jovens foram uma peça-chave. "Os outros partidos nos utilizam para passar uma certa imagem, mas o trabalho é restrito a distribuir panfletos, o que não me interessa", diz.

Outro membro do grupo afirma à reportagem que as demais siglas só pensam nos jovens como "mãozinhas para entregar os folhetos."

PIQUENIQUE

Os Jovens com Macron antecedem o próprio movimento político de Macron. Essa agremiação surgiu em 2015, quando o presidente ainda era ministro da Economia. Ele lançou a sua candidatura ao Eliseu um ano depois.

São 300 membros dessa juventude na região de Gironde. Na quinta-feira, eles controlaram todas as redes sociais da República em Frente! e a organização de um piquenique em um parque local. Em um palco, sabatinaram os candidatos.

A reportagem acompanhou a campanha durante todo o dia -as decisões eram tomadas no apartamento de um dos membros, alimentados por pilhas de pizza. As discussões sobre as eleições eram abafadas pelos vídeos e telefonemas simultâneos.

O vice dos Jovens com Macron, Xavier Giraud, 23, já tinha alguma experiência. Ele militou anteriormente no partido de centro-direita UDI (União de Democratas e Independentes) -do qual foi expulso após assinar um manifesto apoiando Macron.

"Assisti ao Macron falando em um evento, e nunca tinha visto alguém daquele jeito", diz. "Foi como um clique dentro da minha cabeça. 'Esse cara é bom', pensei. Quis trabalhar com ele."

Giraud pode decidir concorrer a um cargo, mas desconversa. O objetivo, agora, é apoiar o presidente.

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