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Em reversão parcial de atos de Obama, Trump dificultará viagens a Cuba

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump deve anunciar nesta sexta-feira (16) restrições para viagens de americanos a Cuba e a proibição de transações comerciais entre empresas americanas e entidades militares cubanas, segundo o jornal "Miami Herald".

Trata-se de uma mudança significativa na estratégia de descongelamento das relações entre EUA e Cuba, um dos principais legados do ex-presidente Barack Obama em política externa.

Segundo a Casa Branca, o acordo negociado por Obama não melhorou a situação dos dissidentes no país, e as novas políticas vão reduzir o fluxo de recursos para o governo cubano e, dessa maneira, pressionar os líderes comunistas a deixar o setor privado se desenvolver.

Durante a campanha presidencial, Trump repetidamente afirmou que o pacto com Havana era um "mau acordo".

Em dezembro de 2014, Obama anunciou a reaproximação entre Cuba e EUA, 53 anos após os dois países terem rompido relações diplomáticas. Oito meses depois, foi reaberta a embaixada americana em Havana e, no fim de 2016, pousou na capital cubana o primeiro voo comercial regular entre os dois países.

Segundo o "Miami Herald", que teve acesso às medidas de Trump, as relações diplomáticas entre os dois países serão mantidas. As embaixadas em Washington e Havana seguirão abertas, e os EUA continuarão a ter apenas um encarregado de negócios, e não um embaixador, em Cuba. As remessas de dinheiro e viagens de cubano-americanos tampouco serão afetadas.

Mas deve ficar mais difícil para cidadãos americanos viajarem para Cuba. Com Obama, foram criadas 12 categorias que permitiam a não cubano-americanos visitar a ilha, entre elas visitas familiares, pesquisa profissional e atividades educacionais. Os próprios viajantes tinham de descrever o propósito de sua viagem.

Com a mudança, o Departamento do Tesouro irá verificar se os viajantes realmente se enquadram em alguma das 12 categorias autorizadas. Haverá maiores restrições para viagens educacionais e os chamados "intercâmbios pessoa a pessoa". Além disso, volta a ser exigida a presença de um guia de turismo de uma organização americana acompanhando grupos.

As mudanças foram fortemente influenciadas pelo lobby anti-Castro, representado pelo senador Marco Rubio e pelo deputado Mario Díaz-Balart, ambos republicanos e cubano-americanos.

A nova política para Cuba será anunciada por Trump na sexta-feira no teatro Manuel Artime, cujo nome homenageia um dos líderes da Brigada 2506 da Baía dos Porcos, cujo grupo apoiou Trump na eleição do ano passado.

Em seu discurso, ainda segundo o "Miami Herald", Trump vai citar as violações aos direitos humanos em Cuba como motivo para a mudança da política de aproximação com o país.

"O povo cubano vem sofrendo há muito tempo sob um governo comunista que suprime suas legítimas aspirações à liberdade e prosperidade e não respeita a dignidade humana essencial de todos os cubanos", diz a nova política de Trump.

A mudança não reverte totalmente a reaproximação pilotada por Obama, mas cede a algumas pressões do lobby cubano-americano, que acusavam a estratégia anterior de ser uma "capitulação".

Em entrevista à Folha de S.Paulo em dezembro, o subsecretário de Estado dos EUA para Assuntos Políticos, Thomas Shannon, afirmou que a normalização entre Cuba e EUA era vista como "necessária e importante" por nações da região.

"Os países na América Latina são alérgicos à exclusão; eles se sentiriam muito desconfortáveis se pensassem que estamos no processo de excluir Cuba", disse Shannon à época.

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