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ATUALIZADA - Após demissão controversa, Trump indica novo diretor do FBI

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que indicará o ex-funcionário do Departamento de Justiça Christopher Wray para ser o novo diretor do FBI (polícia federal americana).

"Vou indicar Christopher A. Wray, um homem de credenciais impecáveis, para ser o novo diretor do FBI. Mais detalhes a seguir", disse Trump em uma rede social na manhã desta quarta-feira (7).

Wray, 50, que é sócio do escritório de advocacia King & Spalding, de Washington, desde que deixou o posto de vice-secretário de Justiça, em 2005, terá que ser aprovado pelo Senado, onde os republicanos têm maioria.

O anúncio foi feito um dia antes do aguardado depoimento do ex-diretor do FBI James Comey, que foi demitido por Trump em 9 de maio, ao Comitê de Inteligência do Senado.

Desde então, o posto era ocupado interinamente pelo vice de Comey, Andrew McCabe.

Wray foi vice-secretário de Justiça entre 2003 e 2005, durante o governo de George W. Bush, quando ficou responsável pela divisão criminal e integrou a força-tarefa contra fraude corporativa criada por Bush na época. O advogado é especialista em crimes de colarinho branco.

Ele também foi o advogado do governador de Nova Jersey, o republicano Chris Christie, durante o escândalo do "Bridgegate", em 2014. Christie e sua equipe foram investigados por terem fechado faixas de trânsito em uma importante ponte para criar um caos no trânsito como vingança política a um prefeito opositor. Três assessores do republicano foram condenados por crimes federais, mas o governador foi absolvido.

DEMISSÃO

A demissão de Comey foi cercada de controvérsia e escândalos. A justificativa oficial da Casa Branca para a saída do diretor foi a forma "errada" como ele conduziu a investigação sobre o uso indevido de e-mails pela ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, que disputou a Presidência com Trump.

Na carta em que recomendou a demissão, o vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein, citou a decisão tomada por Comey, em julho de 2016, de não recomendar o indiciamento da democrata.

Comey, no entanto, também estava à frente da investigação sobre a possível interferência do governo russo nas eleições de 2016 –e de supostos elos de Moscou com assessores de Trump. O próprio presidente afirmaria depois, em entrevista a uma rede americana, que estava pensando "nessa coisa da Rússia" ao demitir o diretor.

Na semana seguinte à demissão, o "New York Times" revelou que Comey havia escrito um memorando no qual descreve um pedido feito por Trump, durante uma conversa, para que "deixasse para lá" a investigação federal sobre o general Michael Flynn, que foi seu conselheiro de Segurança Nacional no início do governo.

A suposta tentativa de intervenção do presidente em uma investigação federal –o memorando nunca foi divulgado– aumentou as especulações sobre um possível processo de impeachment. A expectativa é que, em seu depoimento ao Senado, Comey revele mais detalhes sobre as conversas com Trump.

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