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ATUALIZADA - EUA abandonam acordo global do clima

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Sob justificativa de colocar os EUA "em primeiro lugar" --seu lema de campanha--, o presidente Donald Trump anunciou nesta quinta (1º) que o país deixará o Acordo de Paris sobre o clima, assinado em dezembro de 2015 por 195 países e blocos.

Segundo Trump, a decisão representa uma "reafirmação da soberania americana", já que, na sua leitura, o acordo "paralisa os EUA enquanto dá poder a algumas das nações mais poluidoras do mundo". Ele disse que iniciará conversas --inclusive com democratas-- para apresentar uma proposta que tenha "termos justos" para o país.

"Os Estados Unidos vão se retirar do Acordo de Paris sobre o clima, mas vão começar negociações para entrar novamente no Acordo de Paris ou em um acordo completamente novo", disse Trump na Casa Branca.

Em nota conjunta após o anúncio, Alemanha, França e Itália, contudo, disseram que o acordo não pode ser renegociado (leia abaixo).

A decisão era aguardada com ansiedade, já que os EUA são o segundo maior emissor de gás carbônico do mundo, atrás da China. Agora, o país ficará de fora do acordo junto com a Síria e a Nicarágua.

O tratado estabelece que, até o fim do século, a temperatura global só possa subir menos de 2°C (na comparação com a era pré-industrial), e idealmente 1,5°C.

O compromisso assumido pelos EUA era de reduzir de 26% a 28% as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2025. O governo de Barack Obama foi um dos fiadores do tratado.

Enquanto Trump ainda falava, Obama divulgou comunicado dizendo que o sucessor se une a um "punhado de países que rejeita o futuro".

Trump repetiu várias vezes que tomou a decisão pensando nos empregos do país e em acabar com a "tremenda e debilitante desvantagem" que o tratado "draconiano" impunha aos trabalhadores americanos, segundo ele.

"Fui eleito para representar os eleitores de Pittsburgh, não de Paris", disse.

A frase logo virou piada. Além de o acordo não ter como foco a França, quem venceu as eleições na cidade industrial na Pensilvânia foi Hillary Clinton. O prefeito de Pittsburgh, o democrata Bill Peduto, também respondeu dizendo que a cidade seguirá as orientações do tratado.

Ele não foi o único. Os governadores dos Estados de Nova York, Washington e Califórnia --todos democratas-- anunciaram nesta quinta a criação da "Aliança do Clima dos EUA", para manter o compromisso.

CUSTO AOS EUA

Outro argumento usado por Trump para a saída é que o tratado servia como uma "redistribuição maciça da riqueza dos EUA para outros países". "Os mesmos países que nos pedem para ficar no acordo são os países que, coletivamente, custam trilhões aos Estados Unidos", disse.

Segundo ele, com um crescimento maior prometido por ele no país, os EUA também vão precisar "de todas as formas de energia disponível".

"Com crescimento de 1%, as fontes renováveis "‹"‹de energia podem atender nossa demanda doméstica. Mas com um crescimento de 3% ou 4%, que é o que eu espero, precisamos de todas as fontes de energia disponíveis."

Durante a campanha eleitoral, Trump ameaçou retirar o país do acordo, enquanto defendia que o aquecimento global era uma "farsa".

A saída dos EUA compromete parcialmente as metas do acordo e pode mudar a forma como outros governos tratam seus compromissos.

Nas negociações, os grandes países em desenvolvimento, como a Índia, defenderam o "direito de poluir" por mais tempo, já que sua industrialização é tardia.

Mais importante, os EUA deixarão de contribuir para o financiamento da mitigação e da adaptação à mudança climática previstas no acordo, algo que, segundo Brasil, China e outros, cabe sobretudo a países industrializados.

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