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Com nomes menos conhecidos, Flip vai às margens

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MAURICIO MEIRELES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A programação da próxima edição da Flip, divulgada na manhã desta terça-feira (30), mostra uma festa literária diferente dos outros anos. Em vez de se ancorar em grandes estrelas internacionais, a curadoria desta vez traz autores menos conhecidos no país e uma profusão de pequenas editoras.

Entre os convidados, estão dois ganhadores do Man Booker Prize: o jamaicano Marlon James e o americano Paul Beatty.

A literatura anglo-americana e os autores consolidados no mercado falante do idioma, que costumam estar no centro das atenções, terão menos espaço.

Só quatro convidados escrevem nessa língua: além dos ganhadores do Booker, a sul-africana Deborah Levy, e o americano William Finnegan, jornalista ganhador do Pulitzer ano passado.

Assim, a curadoria aposta em nomes pouco conhecidos no país, como a chilena Diamela Eltit, a ruandesa Scholastique Mukasonga e o islandês Sjón. É como se a Flip tivesse renunciado a um lado mais comercial da vida literária.

Outro destaque é a busca da festa por diversidade, ponto em que costumava receber críticas. Assim, é possível esperar uma Flip feminina e negra. Pela primeira vez, o número de mulheres convidadas ultrapassa o de homens: elas são 24, enquanto eles são 22. Além disso, 30% dos convidados são negros.

O perfil das editoras também mudou. A Companhia das Letras, que costuma liderar no número de convidados e pautar os grandes debates, continua na frente, mas perdeu protagonismo. Pela primeira vez, os principais nomes internacionais não são da editora, que só trará o tradutor português Frederico Lourenço.

De autores nacionais, a casa paulista leva a historiadora Lilia Moritz Schwarcz e o romancista Julián Fuks, entre outros.

A Record, que acabou longe da festa depois de criticá-la ao longo dos anos, ascende novamente e fica em segundo lugar. A editora carioca trará sete autores, como Alberto Mussa, Ana Maria Gonçalves e a argentina Leila Guerriero.

Surge ainda um cipoal de pequenas editoras, como a Maza, a Pallas, a Malê -voltadas para autores negros ou temas relacionados-, e a Scriptum, entre outras.

O evento também deixa de apostar nas conferências solitárias de escritores. Tradicionalmente, a Flip costumava oferecer mesas cativas para suas grandes estrelas -este ano, nenhum autor será entrevistado sozinho.

A programação se relaciona à trajetória de Lima Barreto, o homenageado este ano. O autor não teve em vida o reconhecimento que buscou, não só por ter produzido uma literatura contra o establishment literário da época, mas também pelo racismo. Ele também se dedicou a representar os tipos marginais da sociedade.

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