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Renovar carros velhos ajuda a prevenir acidentes, mas solução não é taxar

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WALTER PORTO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A evolução da tecnologia de segurança serve para ajudar o motorista a prevenir acidentes, mas ainda é um desafio fazer com que estejam mais presentes no mercado por causa do alto número de motoristas que se apegam a carros antigos.

O problema foi detectado na segunda mesa do último dia do Fórum Segurança no Trânsito realizado pela Folha de S.Paulo em parceria com a Ambev e a Labet nesta terça (30).

A renovação da frota é essencial para fazer com que carros mais seguros penetrem no mercado, segundo Renato Romio, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia.

"Temos dificuldade de fazer as pessoas trocarem carros antigos por novos e isso esbarra principalmente no preço", disse ele, referindo-se à impossibilidade de a maior parte da população trocar o veículo com frequência.

Uma solução aventada por Romio foi o aumento de impostos sobre carros mais antigos, mas ele em seguida a descartou dizendo que seria "taxar os mais pobres".

"As pessoas simplesmente parariam de licenciar seus carros. Isso não resolve e não colabora com as estatísticas", completou. Segundo o especialista, cerca de 30% da frota de veículos atual já é irregular.

Segundo Maxwell Vieira, presidente do Detran-SP, a idade média do carro usado pelo brasileiro gira em torno de 15 anos –o que, para ele, é "razoavelmente velho".

Falando sobre o aumento do índice de inadimplência dos motoristas, ele defendeu uma melhor política de impostos.

"Quando um motorista deixa de pagar IPVA, ele dobra no ano seguinte. É difícil essa pessoa conseguir pagar, e o carro vai ficar irregular", argumentou. "O governo está sempre promovendo o Refis [programa estadual de refinanciamento], mas precisamos encontrar uma política para renovação dessa frota".

Outra questão levantada por Romio foi o alto preço que as empresas automobilísticas pagam para instalar itens de segurança de última geração nos seus carros, tornando-os caros demais para o bolso do brasileiro médio.

João Oliveira, diretor comercial da Volvo, disse que a fabricação de carros não pode ser pensada apenas visando a deixá-lo atrativo para o consumidor.

"Isso empobrece a discussão. Temos que olhar para isso como sociedade, pensando que tipo de trânsito queremos no país."

A Volvo tem como objetivo reduzir o número de mortes em carros da marca a zero até 2020.

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