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Após operação policial, capital paulista tem 22 locais com usuários de crack

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em decorrência da operação policial realizada no último domingo (21) na chamada Cracolândia, existem atualmente 22 pontos de concentração de usuários de crack na Luz e bairros próximos, na região central da capital paulista, de acordo com a prefeitura de São Paulo.

O secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, afirmou nesta quinta-feira (25) que o mapeamento feito pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) localizou cerca de 340 pessoas espalhadas pela área próxima de onde estava a Cracolândia. Há ainda usuários em pontos mais distantes, como na Santa Cecília e Santa Ifigênia. As informações são da Agência Brasil.

Na operação do domingo, a Polícia Civil realizou prisões e apreensões no chamado "fluxo", quarteirões ocupados por barracas improvisadas e usuários. Os grupos de pessoas agora perambulam pelas ruas, sendo frequentemente reprimidos pela Polícia Militar ou pela GCM. Um dos maiores locais de concentração é a Praça Princesa Isabel, a menos de 500 metros do local onde foi realizada a ação policial.

Pesaro alega que as mudanças na dinâmica da Cracolândia não são, no entanto, um problema. “Na medida que ela se dispersa [concentração de usuários], você acaba tendo maior facilidade na abordagem e maior dificuldade para o tráfico”, afirmou após reunião para definir as medidas do Programa Redenção, iniciativa municipal que pretende substituir o Programa De Braços Abertos, da gestão anterior.

As mudanças trouxeram novas necessidades às equipes de assistência social e de saúde que fazem abordagens aos usuários. “A ação ia ser feita unicamente na Cracolândia, naquela situação geográfica, e hoje ela feita na cidade inteira. Inclusive, nós colocamos veículos à disposição das nossas equipes de abordagem para que eles possam ir às regiões de concentração”, ressaltou o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara.

O secretário municipal de Governo, Julio Semeghini, admitiu, entretanto, que a ação, coordenada pela SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo), aconteceu antes que o Redenção e a rede municipal estivessem prontos para atender aos usuários. “Ela [a ação policial] nos pegou em fase de preparação das nossas ações. Mas, agora, na prática, ela está ajudando”, disse.

Ante do quadro atual, o prefeito João Doria, que no dia da operação policial anunciou o fim da Cracolândia, se justificou sobre os resultados das ações dos últimos dias. “Nós nunca falamos que os dependentes deixariam de existir. A Cracolândia, fisicamente, são prédios. São edificações que são utilizadas por uma facção criminosa na capital de São Paulo para a distribuição de entorpecentes”, destacou.

A prefeitura lacrou quase todos os imóveis residenciais e comerciais de dois quarteirões onde ficava o fluxo. Também foram feitas algumas demolições. Durante a derrubada de um desses prédios, três pessoas ficaram feridas. De acordo com o secretário Julio Semeghini, houve um erro e a derrubada acabou sendo iniciada antes de que a edificação fosse esvaziada.

O caso foi citado em uma liminar emitida ontem pela 3ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo que proibiu a administração municipal de continuar as remoções e demolições antes de cadastrar os moradores e garantir atendimento de saúde e habitação. A prefeitura informou que vai cumprir as exigências.

INTERNAÇÕES COMPULSÓRIAS

Sobre o pedido da prefeitura à Justiça para fazer internações compulsórias, o secretário de Saúde, Wilson Pollara, disse que não há a intenção de usar a medida de forma indiscriminada. A intenção, segundo ele, é facilitar o trâmite legal.

Para que uma pessoa seja levada para tratamento psiquiátrico sem autorização da família, é necessário uma decisão judicial, além de um parecer médico. “Nós continuamos com a análise médica e psiquiátrica caso a caso. Nós estamos solicitando que não exista mais uma análise judicial caso a caso”, disse.

O secretário estadual Floriano Pesaro discordou da visão da prefeitura sobre o tema. “Nós não achamos necessário [o pedido à Justiça para internações compulsórias]. A legislação já prevê a questão da internação compulsória ou voluntária. Nós já temos legislação para isso e sabemos qual é o caminho”, destacou.

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