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Colaboração em rede é chave na formação continuada de professores

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CLÁUDIO GOLDBERG RABIN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A formação continuada é uma necessidade para manter os professores atualizados com novas propostas educacionais e precisa funcionar em um sistema de rede, no qual os conhecimentos sejam construídos de maneira colaborativa.

Ao mesmo tempo, a progressão na carreira do magistério é baseada apenas em tempo e títulos, o que dá margem para uma indústria de cursos pouco eficientes.

Estes são alguns dos muitos tópicos debatidos por especialistas que participaram do debate sobre educação continuada de professores no 2º Fórum de Inovação Educativa, promovido pela Folha de S.Paulo em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e com o apoio do movimento Todos pela Educação, nesta quinta-feira (25).

Cybele Amado, diretora do Icep (Instituto Chapada de Educação e Pesquisa), abriu os diálogos da mesa com a reflexão sobre quem seria o professor que educa. E justificou: "Essa é premissa do trabalho que fazemos em rede, que parte do princípio colaborativo".

Para Amado, a formação do educador precisa ser revista e levar em consideração que é preciso vivenciar seu lugar e entendê-lo como um profissional da educação. "Sem isso, nós não vamos avançar".

Luciano Meira, pós-doutor em educação matemática pela Universidade de Berkeley, trouxe a ideia da hiperlocalidade, que, aplicada ao ensino em sistema, possibilita que os professores se tornem empreendedores de suas próprias salas de aula.

"Seria como se a sala de aula fosse uma espécie de start up e os alunos fossem colaboradores", disse ele.

Meira também falou sobre exemplos de inovação com foco nos docentes, como por exemplo uma plataforma americana na qual existe um mercado de planos de aula disponibilizadas pelos próprios professores. Ou laboratórios de inovação que estimulem a produção de didáticas inovadoras hiperlocais produzidas dentro das comunidades.

Cesar Callegari, diretor da Faculdade Sesi de Educação, disse que as variáveis da progressão do magistério -tempo de trabalho e títulos- são limitadas. "Muitas vezes os cursos feitos pelos professores funcionam apenas como uma moeda, mas não tem relação com a realidade da profissão", afirmou.

Callegari propôs um terceiro eixo no qual a criatividade dos docentes fosse recompensada: "Os professores devem ser estimulados a deixar um legado para a educação. Ninguém valoriza quando ele escreve um livro, produz um vídeo ou faz um game".

Já Katia Schweickardt, secretária municipal de Educação de Manaus, trouxe exemplos concretos das experiências manauaras de melhoramentos de políticas antigas e inovação.

"Mudamos o programa Qualifica e agora ele financia mestrados e doutorados para professores desde que tenham relação com as diretrizes e necessidades do ensino, como educação especial". Além disso, agora, depois de formado, o professor tem um número de horas a ser ministrado nas escolas.

Segundo a secretária, a inclusão de plataforma de ensino on-line com a Kahn Academy, com a disponibilização ampla de conteúdo na internet e treinamento de como usá-lo, também foram essenciais para os avanços que a cidade teve no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

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