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ATUALIZADA - Demolição de parede de imóvel deixa feridos na região cracolândia, em SP

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LEANDRO MACHADO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três pessoas ficaram feridas na tarde desta terça (23) na queda da parede de um imóvel na cracolândia, no centro de São Paulo. As vítimas foram levadas a hospitais da região com ferimentos leves.

Pessoas que estavam no local dizem que uma escavadeira da prefeitura preparava para a demolição do imóvel, por volta das 14h, com moradores ainda dentro de uma pensão da alameda Dino Bueno, em Santa Cecília. Nesse horário estava marcada a ida do prefeito João Doria (PSDB) para acompanhar os trabalhos de demolição, que fazem parte da ação da gestão tucana na região após operação policial do governo do Estado de domingo (22).

Um major dos bombeiros que acompanha a ação afirmou que estava ocorrendo uma obra no local, mas não deu detalhes. Várias escavadeiras estão espalhadas pela região por conta das ações da prefeitura. Ao todo, nove equipes dos bombeiros foram encaminhados para o local.

"Não sei o que aconteceu, nem sei se aconteceu alguma coisa. Só sei que os bombeiros estão aqui", disse Felipe Sabará, secretário de assistência social da gestão Doria. Ele entrou no carro e foi embora.

O prefeito Doria também chegou a passar pela região para promover as ações da prefeitura, mas deixou o local durante a tarde. A prefeitura ainda não se manifestou sobre o ocorrido e marcou uma entrevista para as 16h. O prefeito, porém, não deve participar.

INTERDIÇÕES

Também nesta terça (23), a gestão Doria começou a fechar estabelecimentos comerciais na cracolândia, com funcionários da prefeitura construindo muros na porta de bares das ruas Helvetia e Dino Bueno, quarteirão onde usuários de crack ficavam aglomerados.

Ao menos dois bares foram lacrados antes mesmo que os proprietários tivessem tempo de retirar seus pertences e produtos.

Foi o caso da comerciante Magnólia Porto Coutinho, 45, que tem um bar na rua Helvétia há quatro anos. "Um guarda entrou, disse que eu não tinha extintor e, por isso, seria fechado. Não deram tempo de eu tirar nada", diz.

Dentro do imóvel, ficaram freezers, geladeiras, fogão e alimentos que seriam usados para a produção de marmitas. "O guarda só disse assim: 'se vira'. Eles acham que todo mundo aqui é bandido, é viciado,. Não é assim, aqui também tem gente honesta e trabalhador", relata Mognolia. Ela pagava R$ 900 de aluguel pelo imóvel.

Já na rua Dino Bueno, o comerciante Magno Lima, 36, passa por situação parecida. Guardas civis estipularam um prazo de duas horas para que ele retirasse todos os materiais de seus dois bares na via.

Depois do prazo, o estabelecimento seria lacrado com um muro. Funcionários da prefeitura disseram que o local tem instalação elétrica irregular e uso inadequado de botijão de gás.

Por volta das 12h30, o tempo de Magno estava se esgotando. Ele chorava, sem saber o que fazer. "Minha família depende de mim. Como vou tirar tudo isso em duas horas?".

Um guarda civil metropolitano se aproximou do comerciante e da reportagem. Perguntou: "Já chegou o caminhão? Tem que tirar tudo", disse. Magno questionou o motivo, e o agente respondeu: "Não posso fazer nada, são ordens da prefeitura".

No quarteirão, há diversas pensões. Na manhã desta terça (23), crianças e moradores não sabiam se seria despejados ou não.

As interdições da prefeitura foram criticadas pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que enviou advogados à cracolândia. "Até o momento não foi informado para a Defensoria qual será a política habitacional direcionadas a essas pessoas. Há pensões com 20 famílias em situação de vulnerabilidade e de insegurança", afirmou Rafael Faber, coordenador do núcleo de habitação e urbanismo da Defensoria.

"É estranho uma operação como essa. Do dia para noite começam a fechar todos os comércios da região. São pessoas que estão estabelecidas há muito tempo", disse o defensor.

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