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Bares viram camarote em show de Edi Rock debaixo de chuva no Grajaú

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SILAS MARTÍ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos palcos mais distantes do centro da cidade nesta Virada Cultural pulverizada por São Paulo encerrou a noite de domingo (21) com uma apresentação do rapper Edi Rock, que cantou durante uma hora no centro cultural Palhaço Carequinha, no Grajaú, extremo sul paulistano.

Ele substituiu Mano Brown, seu colega nos Racionais MC's, que preferiu desmarcar sua apresentação por causa de problemas de produção e por não ter podido fazer uma passagem de som, já que o palco não fora montado a tempo.

Debaixo de forte chuva, o público não chegou a lotar todo o espaço. Um mar de guarda-chuvas tremulava ao som da música, escondendo umas 700 pessoas, muitas delas do Grajaú.

Tainá Coelho e sua irmã, Luíza, eram duas delas, que até gostaram da troca de Mano Brown por Edi Rock. Elas, que em edições anteriores da Virada chegaram a atravessar a cidade para ver shows, gostaram da ideia de apresentações mais espalhadas pela cidade.

"É bem melhor se tiver um pessoal legal aqui para cantar para a gente", disse Tainá. "Daí a gente não precisa pegar trem e metrô."

Edi Rock, aliás, abriu sua apresentação exaltando o Grajaú, mas a acolhida pareceu tímida, talvez com os ânimos um pouco abalados pela chuva torrencial que caía ali.

O som também não ajudou. Muito abafado, não deixava ouvir as letras do rapper, que sumiam sob as batidas mais graves. "Levanta a mão quem está ouvindo", disse Rock, no palco. "Pessoal, nesse momento é o que está tendo, senão pode dar um curto-circuito e apagar tudo."

Tensões à parte, o show logo engatou e o público parece ter se esquecido dos problemas de som. Mas não havia chapinha que aguentasse debaixo da tempestade, então garotas mais preocupadas com o visual buscaram refúgio nos vários botequins em frente ao palco.

No Bar do Belo, dezenas de jovens assistiam o show à distância, mas nem por isso menos animadas. Ali, integradas à vida real do bairro que lembra tanto os lugares descritos nas músicas de Rock e dos Racionais, tudo parecia fazer mais sentido.

Num ponto alto do show, Edi Rock cantou "Negro Drama", arrancando a maior reação de um público encharcado. Na sequência, fez o único comentário político da noite, pedindo a renúncia do presidente Michel Temer e sugerindo a candidatura do vereador Eduardo Suplicy ao Palácio do Planalto.

Mas a reação aos comentários políticos foi morna. A maioria ali parecia mais interessada em curtir a festa, entornando garrafas de catuaba e latinhas de cerveja que depois acabavam boiando na correnteza formada pela chuva nas calçadas do bairro.

Na porta de um dos bares, uma mulher via o lado bom da tempestade. "Na chuva é bom porque ninguém chapa", dizia. "Já vai beber tomando banho."

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