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MC Gui canta sobre 'novinhas salientes' para crianças em Interlagos

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SILAS MARTÍ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Debaixo de chuva forte, o funkeiro MC Gui, jovem de 19 anos famoso por letras ao mesmo tempo piegas e hipersexualizadas, cantou para um público que não passava de cem pessoas na tarde deste domingo (21) no autódromo de Interlagos.

O lugar que chegou a ser cotado como única sede da Virada Cultural na administração do tucano João Doria estava quase vazio. "Este é o show em Interlagos", anunciava o funkeiro no palco.

Enquanto MC Gui falava em "novinhas salientes" e "bumbuns que não param", carros corriam a toda velocidade na pista ao lado e um cachorro vira-lata vagava entre as poucas pessoas, encharcadas pela tempestade que não deu trégua.

Guarda-chuvas não eram permitidos e capas de chuva de plástico vendidas por ambulantes se desfaziam no contato com as primeiras gotas. "Obrigado por estarem aqui mesmo debaixo de chuva", disse MC Gui, no palco. "Para quem ficar doente vou ajudar pelo menos a pagar o remédio."

Talvez precisem mesmo, porque nem uma ameaça de pneumonia era suficiente para fazer meninas pré-adolescentes, eufóricas diante do funkeiro, quererem sair de perto do palco -quase vazio, o show permitiu certa intimidade com o ídolo.

Famílias inteiras dançavam e cantavam todos os versos. Mesmo diante de um público esparso, que se escondia debaixo de toldos e árvores para fugir da chuva, MC Gui não parou. Cantou durante intermináveis e molhadíssimos 40 minutos.

Também não reclamou e não houve manifestações políticas, a não ser a pichação "eleições gerais já" no lado de fora de um dos muros do autódromo.

Kamilly Avani, 13, veio com a mãe e primos de Cotia, na Grande São Paulo, para ver MC Gui no dia de seu aniversário. "Valeu muito a pena, mesmo com a chuva e mesmo sendo longe, vale a pena." Ana Avani, a mãe, disse que também gostou das músicas do show. "Os pais se divertem também."

Na plateia, Laleska Rosana, 21, também dançava sem parar. Ela mora ali perto, em Interlagos, e é prima de um dos dançarinos de MC Gui, que sensualizava no palco. Todo o espetáculo lembrou um programa de auditório pós-apocalítico, deslocado para um descampado alagado.

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