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Trabalhistas britânicos propõem subir impostos em quase R$ 200 bi ao ano

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Partido Trabalhista, principal força de oposição no Reino Unido, lançou nesta terça-feira (16) um manifesto eleitoral "radical e responsável" com propostas de aumento de impostos e um plano de estatizações. A legenda aposta nas preocupações do eleitorado com educação e saúde para tentar obter apoio nas eleições gerais de 8 de junho.

O documento propõe elevar a taxação sobre os mais ricos para até 50% da renda. Junto ao fim de isenções e a outros aumentos de impostos, isso permitiria aumentar os gastos públicos em £ 48,6 bilhões (R$ 194,2 bilhões) por ano, permitindo maiores investimentos em educação, saúde e programas sociais.

"Este manifesto é um primeiro esboço de um melhor futuro para o povo do nosso país. Um plano do que o Reino Unido pode ser e uma promessa do que um governo trabalhista pode fazer", disse o líder do partido, Jeremy Corbyn.

"Nosso país só irá trabalhar para os muitos, e não para os poucos, se houver oportunidades nas mãos dos muitos. Então, nosso manifesto é um plano para todo mundo ter uma chance justa de se dar bem na vida, porque nosso país só terá sucesso quando todos tiverem sucesso."

Um rascunho do manifesto havia sido vazado na semana passada, indicando a adesão a uma plataforma eleitoral localizada muito à esquerda.

Além do aumento de impostos para os mais ricos, o plano propõe a estatização dos os serviços de correios, energia e transporte ferroviário. O documento também defende uma saída negociada da União Europeia, rejeitando a proposta de "brexit duro" defendida pela primeira-ministra Theresa May.

Desde que chegou à liderança do Partido Trabalhista, o esquerdista Corbyn radicalizou o programa da legenda, animando parcelas do eleitorado. Por outro lado, integrantes das alas mais ao centro da sigla temem que a radicalização leve o partido a uma derrota histórica nas eleições.

REAÇÃO CONSERVADORA

O Partido Conservador, de May, criticou as propostas trabalhistas, classificando o manifesto de "caótico" e atacando a liderança de Corbyn.

"Suas ideias para a economia são sem sentido, suas visões sobre segurança nacional são indefensáveis e ele [Corbyn] bagunçaria as negociações do 'brexit'", afirmou David Gauke, secretário do ministério das Finanças.

"São trabalhadores comuns que pagarão pelo caos de Corbyn. Jeremy Corbyn fez tantos compromissos orçamentários infundados que fica claro que os trabalhistas teriam que aumentar impostos drasticamente, pois a conta não fecha."

O Partido Conservador também apontou diferenças entre o rascunho e a versão final do manifesto trabalhista, como uma política mais suave sobre presídios privados e a exclusão de propostas sobre investimento em portos e aeroportos.

O governo britânico surpreendeu ao anunciar no mês passado o adiantamento das eleições gerais no país para 8 de junho. Pelo calendário original, o pleito deveria ocorrer apenas em 2020. May justificou sua decisão de convocar os britânicos às urnas para tentar fortalecer sua base de apoio no Parlamento em busca de melhores condições para negociar os termos da saída britânica do "brexit".

Pesquisas indicam que a primeira-ministra desfruta de alta popularidade, o que deve favorecer o Partido Conservadores nas eleições.

Uma enquete da Panelbase divulgada nesta terça-feira mostra que o apoio aos conservadores caiu em um ponto, para 47%, desde a semana passada, enquanto a intenção de voto nos trabalhistas subiu dois pontos, para 33%. Como o sistema eleitoral britânico é distrital, a porcentagem de apoio nas urnas não necessariamente se reflete na quantidade de cadeiras conquistadas no Parlamento.

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