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Mãe escolhe música para chegada do filho ao mundo em Olinda

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KLEBER NUNES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Com qual música você quer que seu filho chegue ao mundo?" É assim que o médico Roberto Santa Cruz, 29, recebe as pacientes em trabalho de parto que dão entrada no hospital Tricentenário, em Olinda (PE). Diante da cara de surpresa que todas as mulheres fazem, ele liga suas caixinhas de som e atende ao pedido da futura mamãe.

"Toca de tudo, de Frank Sinatra a Safadão". Independentemente do ritmo, do cantor ou da banda, o médico e sua equipe acompanham a música dançando. As pacientes também, mas às vezes só mexendo os dedos devido ao efeito da anestesia.

Ele não sabe explicar quando começou seu interesse pela área de saúde nem pela música. Desde agosto do ano passado, porém, quando concluiu a graduação na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e entrou para uma escola de música, teve certeza que a arte poderia complementar sua atuação profissional.

"Comecei estudando canto. Quando fui escolher qual instrumento aprender lembrei da música 'Elephant Gun', da banda Beirut, que eu adoro e é tocada com um ukulele. Está decidido, vou tocar ukulele. É fácil e tem um som alegre." São duas horas de aulas (canto e ukulele) por semana.

O instrumento de quatro cordas semelhante a um pequeno violão passou a fazer parte da rotina de atendimentos no setor de pediatria das UPAs São Lourenço da Mata, na região metropolitana do Recife, e do Ibura, periferia da capital pernambucana. Nessas unidades o artista é ele e o "show" é ao vivo.

"A pediatria me escolheu e eu quero fazer o melhor para as crianças. Elas adoram as músicas e eu toco", disse Beto, como prefere ser chamado. "Não tenho doutor nem no carimbo, nem no jaleco. Esse título é como se eu fosse superior aos meus colegas ou aos pacientes, não sou".

Com a semana de plantões, incluindo os fins de semana nos quais Beto cumpre 36 horas, qualquer intervalo é uma oportunidade para ensaiar. No último domingo (7), enquanto "fazia um som" para os colegas do hospital Tricentenário, onde é plantonista em neonatologia, foi abordado por uma paciente no setor de pré-parto.

"Ela perguntou se era um ukulele, eu estranhei porque geralmente as pessoas chamam de cavaquinho ou violãozinho. Depois ela disse que cantava, então formamos uma dupla e nos apresentamos ali para o pessoal", disse.

A cantora era a jovem Gabriela Stephanie Ribeiro, 18, artista popular que canta nos ônibus e metrôs do Recife. Ela aguardava havia seis horas a chegada da terceira filha, Rebecca, quando ouviu Beto. "Esqueci o nervosismo, as dores e me senti relaxada, preparada para receber minha filha quando comecei a cantar com ele."

O show da dupla "Beto & Tefinha" interpretando a música "Trem bala" de Ana Vilela foi filmado pela plateia. Um dos vídeos viralizou nas redes sociais e já tem mais de 385 mil visualizações. "O mundo seria muito mais feliz se todo mundo aprendesse a tocar ukulele", diz Beto.

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