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Macron participa com Hollande de celebração pelo fim da Segunda Guerra

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Um dia depois de derrotar Marine Le Pen, a candidata da direita ultranacionalista, o presidente eleito na França Emmanuel Macron, 39, uniu-se ao titular do cargo nas celebrações de 8 de Maio diante do Arco do Triunfo em Paris.

Macron e o presidente da França, François Hollande, participaram dos eventos que marcam a derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) -de algum simbolismo, diante da disputa com Le Pen, um partido de retórica populista e antissemita.

Hollande anunciou durante o dia que a posse de Macron será realizada em 14 de maio, iniciando formalmente o governo do 8º presidente da 5ª República francesa.

O gestuário do evento, com Hollande segurando Macron pelo braço e lhe falando com intimidade, dava indicações de um tutor que aprova o pupilo. Macron foi ministro da Economia do governo socialista até agosto, quando fundou seu próprio movimento, o Em Frente!.

"Sinto bastante emoção por estar neste lugar", disse Hollande. "E, falando honestamente, por mostrar a Macron o caminho a tomar."

O presidente eleito, no entanto, precisará buscar soluções para evitar o destino de seu antecessor. Hollande deixa o cargo sem nem tentar a reeleição, com um índice recorde de desaprovação.

RÚSSIA

Macron venceu no domingo (7) depois de uma longa e imprevisível campanha, em que outros candidatos ascenderam e caíram. Há alguns meses, parecia certo que o conservador François Fillon seria eleito, até que o semanário satírico "Le Canard Enchaîné" publicou uma grave acusação de corrupção.

O presidente eleito recebeu 66% dos votos contra os 34% de sua rival Le Pen, segundo os resultados finais, que só devem ser oficializados na quarta-feira (10).

Sua vitória foi interpretada como a prevalência de uma visão otimista da União Europeia, que Macron defende. Le Pen sugeria deixar o bloco econômico. Ele deve fortalecer em especial os laços franceses com a Alemanha da chanceler Angela Merkel.

Em um gesto inesperado, o presidente russo, Vladimir Putin, disse a Macron querer deixar a desconfiança de lado para trabalharem juntos. Moscou havia apoiado os rivais de Macron nestas eleições.

A campanha de Macron afirma ter sido alvo de diversos ataques de hackers, como o vazamento de e-mails na véspera das eleições, indicando a responsabilidade russa -mas Putin nega.

O presidente eleito propunha endurecer as sanções econômicas contra a Rússia, enquanto Le Pen, por exemplo, queria aproximar os países. Ela visitou Moscou.

"Os cidadãos da França confiaram em você para liderar o país em um momento difícil para a Europa", disse Putin. "O crescimento do terrorismo e do extremismo militante é acompanhado por uma escalada dos conflitos."

'BREXIT'

Outro possível rival de Macron lhe deu os parabéns pela vitória: a premiê conservadora britânica, Theresa May.

Eles provavelmente entrarão em embates políticos durante os próximos dois anos, enquanto o Reino Unido negociar sua saída da União Europeia, chamada "brexit".

Macron, que discorda da decisão britânica, será presidente de um dos principais membros do bloco econômico. A França é também um dos cinco países com direito a veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Sua influência, no entanto, terá de ser indireta. A negociação entre Reino Unido e União Europeia é feita pela Comissão Europeia, e não pelos presidentes em si, e o acordo final será votado pelo Parlamento Europeu.

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