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ATUALIZADA - Diretor de órgão eleitoral critica Constituinte convocada por Maduro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O diretor do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, Luis Emilio Rondón, afirmou nesta quinta-feira (4) que o pedido de convocação de uma Constituinte feito pelo presidente Nicolás Maduro "contém várias observações que contrariam princípios da Constituição".

Maduro anunciou na segunda-feira (1º) uma Assembleia Constituinte "popular" para redigir uma nova Constituição, cujos integrantes serão eleitos por setores da sociedade e não pelo voto universal. Opositores classificaram a decisão como "fraudulenta" e reclamaram que a forma de escolha dos representantes da Constituinte é excludente.

Rondón disse em entrevista à rádio Onda que fez uma "revisão preliminar" do pedido de convocação da Constituinte e alertou que a escolha dos membros da Assembleia precisa respeitar garantias previstas na Constituição venezuelana.

"Falar de voto universal não se trata de grupos parcializados, no documento [a Constituição] não existe segmentação que coincida com o princípio da universalidade", afirmou.

Caberá ao CNE definir as condições para a eleição da Constituinte, mas a presidente do órgão, Tibisay Lucena, não deu um prazo para a regulamentação. Dos cinco diretores do conselho, quatro são aliados de Maduro. Rondón é o único opositor no órgão.

OEA

A Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pela oposição, apresentou nesta quinta-feira sua objeção à decisão do governo Maduro de retirar o país da OEA (Organização dos Estados Americanos).

O presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, se reuniu em Washington com o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, e disse que a decisão de Maduro de romper com a OEA é "completamente nula".

Não está claro se o posicionamento da Assembleia Nacional afetará o processo de saída da Venezuela da OEA, iniciado após o organismo convocar uma reunião de chanceleres para analisar a crise política no país. É a primeira vez que um país deixa o organismo regional desde a sua fundação, em 1948.

A Justiça venezuelana não reconhece as decisões da Assembleia Nacional por considerar que o Legislativo age em "desacato" à Constituição desde que empossou três deputados cuja eleição foi impugnada pelas autoridades eleitorais.

PROTESTOS

A Venezuela voltou a registrar nesta quinta confrontos entre policiais e manifestantes em atos contra o presidente Nicolás Maduro.

Em Caracas, agentes de segurança bloquearam as entradas do campus da Universidade Central da Venezuela e reprimiram estudantes que se manifestavam no local. Também houve repressão em atos estudantis em San Antonio de los Altos, a 20 quilômetros de Caracas.

Na quarta (3), protestos violentos deixaram ao menos 362 feridos em Chacao e Baruta, na periferia de Caracas. Além disso, um jovem morreu após ser atingido no pescoço durante uma manifestação –ele foi identificado como Armando Cañizales, 17.

Durante a madrugada, o policial estadual Gerardo Jesús Barrera, 38, não resistiu aos ferimentos graves que sofreu ao atuar em uma manifestação no Estado de Carabobo, onde uma série de saques acontece há três dias.

Um líder estudantil, Juan López, 28, foi morto por homens armados em uma assembleia universitária nesta quarta (5) em Anzoátegui. Porém, a polícia, o Ministério Público e a oposição afirmam que a ação foi um crime comum ordenado por criminosos presos em uma cadeia local.

Com isso, chega a 33 o número de mortos na onda de protestos iniciada em abril contra o governo Maduro.