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ATUALIZADA - Hamas modera tom e aceita Estado nos limites de 1967

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A facção radical palestina Hamas moderou o discurso e admitiu nesta segunda (1), em documento, a possibilidade de um Estado palestino nos limites vigentes em 1967, antes da Guerra dos Seis Dias. No conflito, Israel conquistou Cisjordânia, faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

O posicionamento, inédito, foi visto como recuo do grupo que historicamente pede o fim do Estado de Israel e uma Palestina unificada.

O texto, porém, não chega a reconhecer Israel.

O documento divulgado pelo grupo nesta segunda define os limites de 1967 como "fórmula de consenso nacional". A afirmação foi interpretada com reservas, uma vez que o Hamas indicou que ela seria um passo provisório.

"O Hamas defende a liberação de toda a Palestina, mas está pronto para apoiar o Estado nas fronteiras de 1967 sem reconhecer Israel ou ceder qualquer direito", afirmou em Doha o líder do grupo, Khaled Meshaal

Em nota, o governo israelense chamou o documento de "cortina de fumaça". Mudança real, diz a nota, virá quando o Hamas "parar de cavar túneis e educar crianças para odiar israelenses".

Apesar da reação de desconfiança, o documento divulgado nesta segunda revela um viés aparentemente mais pragmático do Hamas, numa tentativa do grupo de fortalecer sua posição interna, contra o grupo rival Fatah, e acabar com anos de isolamento internacional.

No novo manifesto, a facção abandona a defesa explícita da destruição de Israel, ainda que mantenha o objetivo de eventualmente "liberar" toda a Palestina histórica, o que inclui o que é hoje o país. O texto afirma também que o grupo não vê os judeus como inimigos.