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'Povo francês decidirá' sobre saída do euro em referendo, afirma Le Pen

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Marine Le Pen, candidata da direita ultranacionalista à Presidência da França, voltou a uma de suas principais propostas ao defender um referendo sobre a saída francesa do euro.

"A saída do euro é minha medida mais conhecida de meus compatriotas. Eles sabem que quero negociar com Bruxelas. Na sequências dessas negociações, haverá um referendo. Será o povo francês que decidirá", disse Le Pen em entrevista a um telejornal na noite desta segunda-feira (1º).

"Eu gostaria que houvesse uma moeda nacional por país, eu penso que essa é a única maneira de recuperar uma competitividade", afirmou a candidata da Frente Nacional, que pontua entre 39% e 41% nas pesquisas de intenção de voto do segundo turno. O centrista Emmanuel Macron, com índices entre 59% e 61%, é apontado como o vencedor da votação em 7 de maio.

O vice-líder da Frente Nacional e um dos principais assessores de Le Pen, Florian Philippot, declarou nesta segunda que, em caso de uma vitória da candidata, "um ano depois, muito provavelmente", os franceses pagarão sua baguete "em francos".

Em um comício em Villepinte, subúrbio ao norte de Paris, também nesta segunda-feira, a ultranacionalista criticou seu rival centrista, associando-o ao atual presidente socialista, François Hollande. "Emmanuel Macron é apenas François Hollande que deseja permanecer e que se agarra ao poder como um crustáceo."

Ela defendeu que a França retome sua independência da União Europeia, mas não mencionou a proposta de uma eventual saída do euro.

MACRON

O rival de Le Pen participou de uma homenagem a um marroquino que morreu afogado no rio Sena há 22 anos, depois de ser jogado na água por skinheads que participavam de um comício da Frente Nacional, então liderada pelo pai de Marine, Jean-Marie Le Pen.

Mais tarde, em um comício, Macron descreveu Le Pen como "o candidato contra a França" e disse que "nós queremos que a Europa seja forte porque queremos que a França seja forte".

MANIFESTAÇÕES

As manifestações de 1º de Maio aconteceram na França de forma dividida. Alguns pediam que parassem a líder da Frente Nacional, outros defendiam voto em Macron, e havia aqueles que, descontentes com ambos, pediam pela abstenção no segundo turno.

Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 142.000 pessoas se manifestaram em todo o país. Na capital, foram registradas confusões entre mascarados e as forças de segurança. Quatro policiais ficaram feridos.

A união sindical que se formou em 2002 contra a ida de Jean-Marie Le Pen ao segundo turno não se repetiu desta vez. Este ano, os sindicatos estão divididos sobre as indicações para os eleitores e, inclusive, sobre o lema para a tradicional marcha do Dia do Trabalho.

"Nosso slogan é claro: a Frente Nacional deve ser vencida para o progresso social. A FN é um partido racista, xenofóbico, contra as mulheres e liberal", afirmou o secretário-geral da CGT, Philippe Martinez.

Mas nas fileiras de manifestantes muitos asseguravam que não queriam nem um, nem outro.

Em Paris, o professor Camille Delaye, 28, agitava um cartaz onde aparecia: "a abstenção é um ato político". "Se votar em Macron, vamos favorecer ainda mais Le Pen", argumentava.

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