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Doria tem 2 dia de atos de ciclistas e dedica 'flores do mal' a Lula e Dilma

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MARIANA ZYLBERKAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após Doria hostilizar uma ciclista na tarde deste domingo (30) na avenida Paulista, ativistas tentaram novamente entregar flores ao tucano nesta segunda-feira (1°) em "homenagem aos mortos das marginais" e contra a possibilidade de remoção das ciclovias.

Dessa vez, apoiadores de Doria fizeram uma espécie de cordão e vaiaram um dos ciclistas que tentou entregar flor ao tucano. Houve um princípio de tumulto, e o homem foi retirado pela Guarda Civil Metropolitana.

"Faço aquilo que é importante ser feito. Para isso, ninguém me empareda. Não será nenhum ativista e nenhum petista que vai me colocar contra a parede. Nem com flores nem com gritos. Aquelas flores do mal que quiseram me dar ontem eu dedico a Lula e a Dilma que criaram 14 milhões de desempregados", disse o prefeito.

Doria afirmou ainda que não tinha medo e que a bandeira do Brasil não é vermelha. "Eu não tenho medo como o Ayrton não tinha para levantar a bandeira brasileira. Essa é a bandeira do Brasil e não a vermelha do PT"."

A manifestação de ciclistas, organizada por integrantes dos movimentos Cidade a Pé e Ciclocidade, foi sufocada por apoiadores de Doria, que estavam vestidos com camisa da seleção brasileira e impediram os ciclistas de se aproximar. Eles fizeram uma espécie de cordão em torno do tucano e gritavam o nome do prefeito cada vez que os ciclistas gritavam "nenhum quilômetro a menos", em alusão ao projeto de substituir ciclovias por ciclorrotas da gestão.

"Tentamos nos aproximar, mas não nos deixaram entregar as flores", disse Leticia Sabino, integrante do movimento Cidade a Pé. Integrantes do movimento Ciclocidade ficaram na plateia de frente para o palco empunhando as flores. "Esperamos que assim ele veja nosso protesto", disse Leticia.

Manifestantes pró e contra a gestão João Doria chegaram a discutir, mas o público presente impediu que a discussão evoluísse para agressão física. Um dos ciclistas chegou a ser retirado pela Guarda Civil Metropolitana.

"Viemos aqui para relembrar as mortes nas marginais", disse Letícia Sabino, integrante do movimento Cidade a Pé. "Hoje começamos o Maio Amarelo, um movimento de conscientização da segurança no trânsito e o prefeito escolhe homenagear uma personalidade que morreu por causa da velocidade", disse Leticia.

PRAÇA AYRTON SENNA

O prefeito participou da inauguração da praça Ayrton Senna, no Paraíso, na região central da cidade, no dia em que se completa 23 anos da morte de Ayrton Senna. Pilotos, equipes e pessoas envolvidas com automobilismo usaram as redes sociais para homenagear o piloto brasileiro. No dia 1º de maio de 1994, Senna bateu na curva Tamburello, durante o GP de San Marino, e não resistiu aos ferimentos.

Vestido de camiseta verde e com um boné verde e amarelo com o autógrafo de Ayrton Senna, Doria chegou cercado pelos secretários Filipe Sabará (Assistência Social), Sérgio Avelleda (Transportes), Gilberto Natalini (Verde e Meio Ambiente), Wilson Pollara (Saúde) e Fabio Santos (Comunicação).

Muito aplaudida, a empresária Viviane Senna foi ovacionada quando relembrou a morte do automobilista. " O Ayrton representava todos os trabalhadores do Brasil que acordam cedo para trabalhar e matam mil leões por dia. Não é de graça, não é fazendo greve que se conquistam as coisas." "Esse cara aqui é o novo Ayrton", continuou Viviane aos gritos de "acelera, Doria" do público.

Doria entregou flores para Viviane Senna. "São flores do bem, entregues com coração e não com ódio. As flores foram feitas para demonstrar amor e não ódio". Entre os patrocinadores da praça estão as empresas BMW e Agulhas Negras, concessionária de automóveis de luxo.

ACIDENTES MARGINAIS

Na campanha, Doria acusava a gestão Fernando Haddad (PT), que reduziu os limites nas marginais, de promover a "indústria da multa". Com a mudança em sua gestão, as multas caíram 57% nas vias, mas os acidentes com vítimas aumentaram.

Entre 25 de janeiro e 10 de março deste ano, foram realizados 186 atendimentos pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) nas duas marginais, segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Em 2016, no mesmo período, foram 65 casos -um aumento de 186,2% (ou 2,9 vezes).

Após 25 meses sem mortes por atropelamentos, um homem de 76 anos morreu após ser atropelado duas vezes na marginal Tietê na madrugada do dia 25. Doria acusou o pedestre de "imprudência". Antes disso, já havia sido registradas outras sete mortes em acidentes nas marginais.

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