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Macron derrapa na campanha do segundo turno francês, diz pesquisa

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Favorito à Presidência francesa, o candidato centrista Emmanuel Macron tem tropeçado em sua campanha eleitoral para o segundo turno, marcado para 7 de maio.

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (27) mostra que 43% dos eleitores pensam que ele teve um bom desempenho desde sua vitória em 23 de abril. Ao mesmo tempo, 50% aprovam a campanha de sua rival, a ultranacionalista Marine Le Pen.

O desaceleramento de Macron, que representa o movimento independente Em Frente!, está relacionado a dois incidentes recentes.

O primeiro deles foi a comemoração de seu resultado de primeiro turno. Ele recebeu 24% dos votos enquanto Le Pen conquistou 21,3%.

Macron celebrou a vitória em um restaurante de alto padrão em Paris, uma decisão pela qual foi duramente criticado. Le Pen aproveitou esse momento para retratá-lo como outro representante da elite que ela afirma combater.

O eleitorado francês demonstrou, nas urnas, que está insatisfeito com os partidos tradicionais, que pela primeira vez na história moderna francesa não vão participar do segundo turno.

Sua segunda crise ocorreu nesta quarta-feira (26) durante visita a uma fábrica em Amiens, no norte da França.

Macron, um ex-ministro da Economia que defende a flexibilização das leis trabalhistas, foi vaiado por operários em greve. Eles haviam recebido Le Pen horas antes com abraços e selfies, e a campanha dela distribuiu croissants aos presentes.

ECONOMIA

A recepção de ambos está relacionada a suas visões econômicas. Le Pen, ao contrário de Macron, é crítica ao deslocamento de fábricas francesas para outros países europeus, como a Polônia.

Ela prometeu impedir o fechamento da fábrica de Amiens, previsto para 2018, sugerindo que o governo pode tomar o controle das instalações temporariamente.

Le Pen rejeita também a integração na União Europeia e quer convocar um referendo para retirar a França desse bloco econômico -um gesto hoje bastante improvável, pois precisaria de uma reforma na Constituição.

Nesse sentido, Macron tem a postura inversa. Ele quer mais cooperação com a UE, em frente de cuja bandeira costuma discursar.

Florian Philippot, um dos líderes da Frente Nacional, partido de Le Pen, comentou o episódio em uma entrevista à rádio francesa. Sobre a eliminação de postos de trabalho, ele disse que "Macron não oferece nenhuma esperança". A França tem cerca de 10% de desemprego.

"Alguns afirmam que o Estado não pode fazer tudo, mas o que eles querem dizer é que o Estado não pode fazer absolutamente nada."

SATISFAÇÃO

A pesquisa que avaliou os inícios de campanha foi realizada pelo instituto Elabe, ouvindo 1.002 pessoas em 25 e 26 de abril. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais em ambas as direções.

O estudo mostrou ainda que apenas 31% dos franceses estão satisfeitos com a escolha entre Macron e Le Pen no segundo turno.

Houve protestos de estudantes de ensino médio nesta quinta-feira (27) rejeitando os dois candidatos, vistos como parte de um mesmo sistema.

Centenas de alunos entraram em embate com a polícia em Paris. Cerca de 20 escolas foram bloqueadas durante o dia por essas manifestações com o lema "Nem Macron, Nem Le Pen".

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