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Práticas são alvo de controvérsias entre médicos

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NATÁLIA CANCIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Apesar da expansão da oferta das chamadas práticas integrativas no SUS, parte dessas iniciativas ainda são alvo de controvérsias e embates no país.

O CFM (Conselho Federal de Medicina) reconhece apenas 2 das 19 terapias que hoje fazem parte da política de práticas complementares no SUS. É o caso da acupuntura e da homeopatia, para as quais há possibilidade de atuação médica. Além dessas, o conselho também apoia o pilates como coadjuvante no tratamento e recuperação de problemas no aparelho locomotor --a prática, porém, não faz parte da política nacional do Ministério da Saúde.

Para outras, uma resolução do conselho de 1998, ainda em vigor, veta a indicação como tratamento.

"Isso não significa que o Ministério da Saúde não possa incorporá-las, mas deixamos claro que os médicos não podem indicá-las ou utilizá-las", afirma o presidente do CFM, Carlos Vital. Para ele, faltam evidências científicas e avaliação consistente de riscos e malefícios.

Allan Souza, diretor do departamento de atenção básica, diz que há estudos que mostram o contrário. "Existe ainda uma cultura que valoriza a prática médica curativa e pouco de promoção à saúde", afirma ele, ressaltando que a oferta é recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde)

OUTROS EMBATES

Outro ponto frequente das discussões se refere ao tipo de profissional que deve aplicá-las. É o caso da quiropraxia, que ganhou recomendação na portaria do Ministério da Saúde para que seja feita somente por fisioterapeutas, ou da acupuntura, com aval a diferentes profissionais de saúde. O CFM, porém, defende que essa última seja aplicada só por médicos.

Para Evaldo Leite, da Associação Brasileira de Acupuntura, a técnica pode ser exercida por diferentes profissionais, desde que exista formação adequada.

A substituição de tratamentos convencionais pelos alternativos é um outro receio. "É sempre recomendável haver o alerta para que não haja abandono de terapias reconhecidas", diz Vital, do CFM.

Souza nega que haja esse estímulo. "A incorporação não significa substituição do tratamento convencional."

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