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ATUALIZADA - Morre João Baptista da Costa Aguiar, aos 68

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O artista gráfico João Baptista da Costa Aguiar morreu neste domingo (16), aos 68 anos, em decorrência de uma pneumonia, em São Paulo.

Nascido em São Paulo, em 1948, Aguiar estudou desenho na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado). Ele criou a logomarca da Companhia das Letras, além de ter ilustrado diversas capas de livros da editora --a última foi da obra "Os Fatos", de Philip Roth.

Durante sua trajetória, o artista gráfico confeccionou o cartaz de cem anos da avenida Paulista e criou a logomarca da gestão Erundina, que tinha como imagem central um detalhe do monumento de Victor Brecheret, localizado em frente ao parque Ibirapuera.

Ainda na gestão de Erundina, também ajudou a criar a identidade visual dos ônibus municipais da capital.

O designer começou sua carreira na editora Abril, nos anos 1970, e chegou a ser diretor da arte da revista "Vogue" no país. Além da Companhia das Letras, também fez capas para a L&PM, a Nova Fronteira, a Agir, entre outras casas.

Entre os autores cuja obra ele embalou, estão os americanos Paul Auster e John Updike e o carioca Nelson Rodrigues.

Gostava de cozinhar, paixão que rendeu, em 2011, o livro "Senhor Prendado - Um Homem se Diverte na Cozinha". Costa Aguiar comparava seu processo criativo à preparação do nhoque: assim como a massa, que passa a flutuar quando fica pronta, as ideias também vinham à superfície só depois de um processo, dizia.

'PSIU'

Em 2006, sua produção foi celebrada no livro "Desenho Gráfico - 1980-2006", da editora Senac, que trazia uma coletânea de seus trabalhos.

"A capa de livro tem que chamar sua atenção numa livraria, onde existem milhares de outros títulos. Ela tem que fazer 'psiu', ela tem que te seduzir", disse certa vez em uma entrevista ao programa "Metrópolis", da TV Cultura.

Em post no blog da editora, o presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, relembrou o amigo. O editor contou que o designer não só fez o logo mas ajudou também a escolher o nome da casa, porque Schwarcz pensara inicialmente em "Companhia de Letras".

"Foi sem dúvida alguma um dos melhores capistas da história do livro no Brasil", escreveu Schwarcz.

O logo pensado pelo designer pretendia explorar os conceitos de viagem e aventura possíveis pelos livros.

Em 2007, em entrevista à Folha, Aguiar disse que "a capa dos livros é um dos espaços mais privilegiados, pois, enquanto o desenho de um jornal dura um dia e o de uma revista, um mês, a capa dura pelo menos dez anos na casa de uma pessoa".

Também dizia ver a si mesmo como um "decodificador".

"Uso meu repertório técnico para ordenar informações em camadas sucessivas. Design me parece exato demais, cartesiano, preciso. Não estou preso a relações áureas. Design tem ou simula exatidão", escreveu no livro que celebrava seu trabalho.

Costa Aguiar deixa dois filhos, Rita e Zeca, e dois netos, Thiago e Pedro.

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