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Opositor Henrique Capriles diz que perdeu direitos políticos na Venezuela

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidenciável opositor da Venezuela Henrique Capriles afirmou nesta sexta-feira (7) que perdeu seus direitos políticos por 15 anos, uma decisão que considerou parte de um golpe do presidente Nicolás Maduro.

Em uma rede social, o governador do Estado de Miranda disse ter recebido notificação informando sobre a inabilitação política. Ele, no entanto, não mencionou que órgão o notificou e por que motivo foi punido.

Para o opositor, a decisão é mais uma razão para seus seguidores irem às ruas. "Mais que ontem, mais que hoje há motivos de sobra para nos mobilizarmos em todo o país contra o autogolpe", disse.

Ele ainda criticou o mandatário venezuelano. "O único inabilitado neste país é você, Nicolás Maduro. Você e a cúpula de traficantes de drogas que lhe acompanha!"

Um dos principais adversários do governo chavista, Capriles é visto como o principal nome da coalizão opositora MUD (Mesa de Unidade Democrática) para disputar as próximas eleições presidenciais, previstas para dezembro de 2018.

Ele disputou as eleições de 2012 e conseguiu 44% dos votos válidos, perdendo para Hugo Chávez. No pleito depois da morte do líder da Revolução Bolivariana, em 2013, foi derrotado por Maduro por 1,5 ponto percentual.

Desde fevereiro, o governador era investigado pela Controladoria-Geral venezuelana por suspeita de receber propina da construtora brasileira Odebrecht para entregar obras do governo do Estado para a empreiteira.

Na última quarta (5), o órgão lhe impôs uma multa pela suspeita de ter alterado o orçamento de Miranda ilegalmente. Ele afirmou que recorreria da decisão ao TSJ (Tribunal Supremo de Justiça), dominado pelo chavismo.

"A única forma de tirar os direitos políticos de um funcionário público eleito é através de uma condenação", disse na ocasião, quando também acusou o governo de persegui-lo devido a suas posições políticas.

A punição a Capriles foi repudiada pelo secretário-geral da OEA, Luis Almagro, que deseja suspender a Venezuela da organização por considerar que o governo chavista rompeu com a Carta Democrática Interamericana.

"O único que tira direitos políticos é o povo e mediante as eleições. Trata-se de uma medida típica de uma ditadura que viola os direitos civis e políticos", disse.

A inabilitação também foi condenada por líderes da MUD. "Isso nos dá mais forças, que o mundo perceba que aqui temos uma ditadura", disse o deputado Tomás Guanipa, do Primeiro Justiça, partido de Capriles.

O dirigente do Vontade Popular Carlos Vecchio disse que a ação é parte do golpe de Estado, forma como chamam as iniciativas de Maduro contra os rivais. "A ditadura quer construir sua própria oposição", disse.

ELEIÇÕES

Capriles perde os direitos políticos antes das eleições para governador e prefeitos. O pleito, que deveria ter ocorrido em dezembro passado, foi adiado duas vezes. A última foi em fevereiro, para recadastrar os partidos políticos.

O processo de revalidação termina neste mês e o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) deverá divulgar em junho quais siglas estão habilitadas. Com isso, se seguido o calendário, as eleições deverão ser no segundo semestre.

A Justiça, dominada pelo chavismo, havia feito o mesmo recurso em 2015, às vésperas da última eleição parlamentar. Neste caso, perderam os direitos políticos a ex-deputada Maria Corina Machado e o ex-prefeito Daniel Ceballos.

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