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ATUALIZADA - Ataque com gás tóxico deixa ao menos 58 mortos em cidade da Síria, diz ONG

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um ataque com gás tóxico na manhã desta terça-feira (4) deixou ao menos 58 mortos na cidade de Khan Sheikhun, no oeste da Síria, afirmou a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos. Entre as vítimas estariam 11 crianças, de acordo com a entidade.

O observatório informou que todas as vítimas são civis e morreram quando eram levadas para hospitais da região, no sul da província de Idlib, área controlada por rebeldes opositores do ditador Bashar al-Assad. O gás sufocou as vítimas e provocou desmaios e vômitos.

Mais de 60 pessoas ficaram feridas após o ataque, segundo a entidade, que acusou o regime de Assad. Uma fonte do Exército sírio negou veementemente à Reuters que as forças do governo tenham usado armas químicas. "O Exército não usa e nunca usou esse tipo de arma porque não a possui em primeiro lugar."

O chefe das autoridades de saúde de Idlib, Mounzer Khalil, disse acreditar que o gás é sarin ou cloro. "A maioria dos hospitais na província de Idlib estão transbordando de pessoas feridas", afirmou.

Segundo a Defesa Civil síria, bombardeios na sequência atingiram um posto médico onde vítimas do primeiro ataque recebiam atendimento.

A França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (5) para discutir o ataque. O enviado das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou que o ataque químico veio do ar e reforçou que o Conselho de Segurança vai exigir responsabilidade.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, culpou a administração Obama pelo ataque. "As horrendas ações do regime de Bashar al-Assad são consequência da fraqueza da administração passada. O presidente Obama afirmou em 2012 que ele iria estabelecer uma 'linha vermelha' contra o uso de armas químicas e então não fez nada."

A chefe da diplomacia da União Europeia afirmou que o regime de Assad é responsável pelo ataque químico. "Obviamente a principal responsabilidade ali recai no regime, porque tem a responsabilidade de proteger sua gente e não de atacá-la", afirmou Federica Mogherini.

"É uma lembrança trágica de que a situação em terra segue sendo dramática", completou Mogherini, que chefia nesta terça e quarta-feira (5) uma reunião organizada junto à ONU, em Bruxelas, sobre o conflito sírio.

O chanceler turco, Mevlut Cavusoglu, classificou a ação em Idlib como um crime contra a humanidade.

Este é o ataque químico mais letal na Síria desde agosto de 2013, quando o uso de gás sarin em Ghouta deixou milhares de mortos.

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais acusaram o regime de Assad pelo ataque. Damasco negou e jogou a culpa nas forças rebeldes.