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Indicado para Suprema Corte defende 'independência'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Indicado pelo presidente Donald Trump para ocupar uma vaga na Suprema Corte dos Estados Unidos, o juiz Neil Gorsuch tentou afirmar-se nesta segunda-feira (20), primeiro dia de sua sabatina no Congresso, como um nome independente da Casa Branca e qualificado.

"Se os juízes fossem apenas legisladores secretos, decidindo não sobre o que a lei diz mais sobre o que eles gostariam que ela dissesse, a própria ideia de um governo pelo povo e para o povo estaria ameaçada", declarou Gorsuch, 49, ao Comitê de Justiça do Senado.

O juiz também disse que, ao longo de sua carreira, procurou tratar todas as pessoas com respeito e razoabilidade.

Ele afirmou já ter decidido casos em favor de estudantes com deficiência, detentos e trabalhadores que diziam ter seus direitos civis violados. "Em algumas ocasiões, eu também decidi contra essas pessoas", disse.

A sessão desta segunda-feira deu início aos quatro dias de sabatina de Gorsuch no Senado.

Nesta terça (21), terão início questionamentos dos congressistas ao juiz.

A confirmação de Gorsuch, um juiz conservador do Colorado, para ocupar um cargo na principal corte do país é um desafio para Trump.

O presidente precisará do juiz para ter chances de vitória caso cheguem à Suprema Corte ações contra seus decretos --como o que barra cidadãos de seis países de maioria muçulmana, suspenso por juízes federais.

Democratas já demonstraram resistência a Gorsuch, dizendo que ele deverá responder sobre sua real independência em relação aos interesses de Trump.

O senador democrata Richard Blumenthal, de Connecticut, pediu que Gorsuch rejeite publicamente os comentários de Trump contra o Judiciário. Ele também alertou que o indícios de conluio entre a equipe de campanha de Trump e autoridades da Rússia podem gerar uma "crise constitucional".

"A possibilidade de a Suprema Corte precisar intimar o presidente não é mais apenas uma especulação vã", afirmou Blumenthal.

A maioria republicana do Senado espera que o Comitê de Justiça aprove a indicação de Gorsuch até 3 de abril, permitindo que o plenário confirme o juiz para a Suprema Corte antes do dia 10, quando o Congresso entra em recesso por duas semanas.