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Quinta edição Feira Plana recebe cerca de 18 mil visitantes

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PERI PANE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto o mercado editorial vem encolhendo em número de vendas, o circuito de publicações independentes não para de crescer. É o que mostra o sucesso de público da mais recente edição da Feira Plana, que aconteceu pela primeira vez no pavilhão da Bienal de São Paulo, no parque Ibirapuera.

Em três dias, cerca de 18 mil pessoas circularam pela quinta edição do evento, que terminou nesta sexta (19). Segundo estimativas da organização, o número de visitantes foi quase o dobro em relação à edição do ano passado, que aconteceu no MIS (Museu da Imagem e do Som).

Com 250 expositores, a feira reuniu editoras independentes, artistas, coletivos de zines e de outras publicações alternativas, que muitas vezes não cabem no mercado editorial convencional.

"O circuito de editoras independentes tem uma demanda gigante, só você ir na Feira Plana, na Tijuana, na Miolos. É sempre lotado, bombando e a galera se acotovelando", diz Cauê S. Ameni, 28, da editora Autonomia Literária, que estava expondo na feira.

Quem passou pelo evento no sábado ou no domingo teve de enfrentar fila de até uma hora nos momentos de pico. É que foi determinado um limite para o número de visitantes dentro do prédio da Bienal. "Achei a fila desnecessária", afirmou o poeta Giovani Baffô, 35, que também reclamou da grosseria e da falta de informação dos seguranças na entrada. Ele passou cerca de dez horas na Feira Plana, entre sábado e domingo, e achou a mostra "interessante e diversificada no geral".

A ilustradora Juliana Russo, que expôs na primeira edição da feira, há cinco anos, curtiu a mudança para o prédio da Bienal. Segundo ela, as pessoas estavam aliviadas por ter mais espaço para circular entre as bancas e "bastante zonzas" com a quantidade e a qualidade das publicações.

"Para as vendas também foi bom, vendi 40 exemplares do meu livro 'São Paulo Infinita', e mais um tanto de cartazes e de publicações de tiragem única. Motivos suficientes para afirmar que tanto o público quanto os artistas e editoras precisam de espaços como esse e que se por um lado o universo das grandes editoras está meio caído o das independentes não para de crescer", afirma a ilustradora.

A designer gráfica Karen Ka, 32, do coletivo #lambebuceta, que lançou o zine "#buselfie, selfie de buceta", vê a feira como um "hub de encontro analógico" de quem produz de forma autoral e autêntica. "É uma forma de resistência, troca e apresentação de quem somos, quais conteúdos abordamos e como os produzimos".

Para o advogado e músico José Vieira, 41, além da qualidade dos trabalhos, com projetos gráficos bem feitos, materiais que relativizam o custo final da obra e das diversas técnicas de impressão, a arte independente exibida na feira permitiu a expressão de muitas vozes, com temas de relevância social e política.

"De outro lado, sinto que a arte é ainda elitista, e, neste aspecto, num momento em que a gente vive a necessidade de emancipação sócio-política do cidadão,o quanto o artista contribui para a educação/formação político-social da sociedade? Falo do alcance das obras, do lugar de comunicação, falo da impressão que tive do público circulante", afirma Vieira.

O livro "Dória para [Des]colorir", de Vítor Massao, foi um dos grandes atrativos da mesa do coletivo CondôLivre. A capa, toda cinza, é uma raspadinha que revela as cores de um grafite surpresa. "Vendemos 220 livros em 3 dias. Entendemos isso como uma forte resposta ao momento pelo qual passa a nossa cidade em relação às artes, sobretudo às artes de rua", diz Paulo Pereira, 38, fotógrafo e integrante do coletivo.

"A Feira abre possibilidades de várias linguagens estarem presentes no mesmo ambiente e o fato de que são publicações independentes em sua grande maioria, atrai um público sedento por novidades e ousadias, que o mercado convencional não arrisca", completa Pereira.

Pela primeira vez na feira, o artista e editor da Volúsia Press Rogério Borovik, 46, ficou feliz de encontrar pessoas interessadas em trabalhos feitos a partir da risografia, um método de impressão criado no Japão nos anos 1980. "Me senti em casa com a turma da produção independente. Foi bom conhecer a galera que tá nessa da risografia. E foi o nosso 'hello' pro grande público. Saiu bastante coisa nos três dias. Foi um sucesso comercial", diz Borovik.

Outro estreante foi o artista Daniel Caballero, do projeto Cerrado Infinito, que estava lançando o livro "Guia de campo dos Campos de Piratininga ou O que sobrou do cerrado paulistano ou Como fazer seu próprio Cerrado Infinito", com tiragem limitada. "É o meu primeiro livro, o único da editora e apenas um evento como a Feira Plana, abrindo espaço para editoras independentes poderia concentrar tantos autores por metro quadrado e aproximá-los dos leitores", diz Caballero.

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