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Parlamento britânico dá aval para Reino Unido deixar União Europeia

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Legisladores britânicos abriram o caminho nesta segunda-feira (13) para que a primeira-ministra Theresa May inicie o "brexit", no mesmo dia em que a Escócia anunciou planos para um novo plebiscito separatista.

O caminho foi aberto pela Câmara dos Comuns e pela Câmara dos Lordes, que compõem o Parlamento britânico, ao rejeitarem duas emendas que poderiam atrasar o processo de saída.

A primeira delas obrigava o governo britânico a comprometer-se com a proteção dos direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido. A segunda garantia o poder de veto a legisladores sobre o resultado das negociações.

Membros da câmara baixa rejeitaram a primeira emenda com 335 votos contra 287 e a segunda com 331 a 286.

A rejeição das emendas e a aprovação simbólica da rainha Elizabeth -prevista para terça de manhã- permitirão que May acione o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, o gatilho formal para as negociações à saída do Reino Unido da União Europeia.

Assim que o artigo seja ativado, as discussões devem se prolongar por dois anos.

O governo britânico sinalizou que deve iniciar o processo no fim do mês. A imprensa local especula que isso aconteça a partir do dia 27.

May evitaria, assim, que o anúncio coincidisse que as eleições holandesas, no dia 15, ou com o aniversário do Tratado de Roma, no dia 25.

ESCÓCIA

A espera poderia estar relacionada também ao anúncio da primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, de que pedirá um novo plebiscito de independência para o fim de 2018 ou início de 2019.

O anúncio é resultado do fracasso do governo britânico em ouvir as preocupações escocesas sobre o "brexit", disse. Por exemplo, a permanência no mercado único europeu, provavelmente inviável na separação britânica.

A primeira tentativa de independência, em setembro de 2014, foi derrotada por 55% dos votos, mas Sturgeon acredita que os acontecimentos recentes na política britânica poderiam impulsionar o "sim" em seu referendo.

Um porta-voz de May disse que a repetição do voto seria divisiva e causaria incerteza econômica no "pior momento possível".

A primeira-ministra afirmou, ainda, que Sturgeon está "brincando de política com o futuro do país". É o Parlamento de Westminster, em que May tem maioria, que decide se a Escócia pode realizar o plebiscito.

Uma Escócia independente não seria, no entanto, automaticamente considerada membro da União Europeia. O país também teria que pedir sua adesão à Otan (aliança militar ocidental), sujeita à aprovação dos membros.

Países como a Espanha poderiam vetar a Escócia como mensagem a seus próprios movimentos separatistas.

A perspectiva de estar fora do bloco e do tratado frustra eleitores escoceses e pode prejudicar os planos de Surgeon, resultando em uma segunda derrota do plebiscito.

Por outro lado, como a Escócia hoje já cumpre com os critérios de entrada, o país teria sua adesão acelerada, superando outros candidatos, como Sérvia e Albânia.

Especialistas ouvidos pelo jornal britânico "The Guardian" estimam que as negociações entre Escócia e a União Europeia poderiam estar concluídas até 2023.

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