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PMs vão a julgamento por matar dois suspeitos durante assalto em SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Policiais militares vão a julgamento nesta segunda-feira (13) acusados de matar dois suspeitos de praticar um assalto no bairro Butantã, na zona oeste de São Paulo, em 2015. Eles estão presos no presídio militar Romão Gomes, no Tremembé (zona norte).

As mortes de Paulo Henrique Porto de Oliveira, 18, e Fernando Henrique da Silva, 23, foram registradas por câmeras de segurança. As vítimas já estavam rendidas e desarmadas quando foram mortas pelos policiais depois de tentar roubar uma moto.

Os policiais militares Tyson Oliveira Bastiane, Silvano Clayton dos Reis e Silvio André Conceição serão julgados nesta segunda, a partir das 10h, pela morte de Paulo Henrique Porto de Oliveira no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste.

Já no dia 27 de março, o julgamento será dos outros três PMs Flavio Lapiana de Lima, Fabio Gambale da Silva e Samuel Paes acusados de matar Fernando Henrique da Silva. Os PMs trabalhavam no 16º e no 23º Batalhões, responsáveis pelo policiamento na região do Butantã. A investigação dos homicídios foi feita pela DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Câmeras de segurança registraram quando Paulo Henrique Porto de Oliveira, que estava desarmado, se entregou aos policiais. Ele sentou no chão, ergueu os braços, foi imobilizado por um policial e algemado. Logo em seguida, os policiais retiraram as algemas e o levaram ao muro.

As imagens não mostram a morte de Oliveira. Depois dos tiros, um policial sem nada nas mãos foi até o carro da PM e, em seguida, esse mesmo policial apareceu com uma arma e voltou para onde estava o suspeito.

Já outro vídeo mostra quando Fernando da Silva foi rendido por um policial no telhado de uma casa e, após levantar as mãos, foi dominado e empurrado pelo policial nos fundos do imóvel. Enquanto o policial desce do telhado é possível ouvir o barulho de ao menos dois tiros.

Na época, o policial Fábio Gambale da Silva relatou no boletim de ocorrência uma versão totalmente diferente do que as imagens mostram. Ele falou que entrou na casa, acompanhado de outro PM, após uma moradora avisar que um homem estava no local.

Gambale falou que eles foram surpreendidos pelo homem que pulou no quintal vindo de uma casa vizinha. Os policiais também disseram ao delegado que atiraram no suspeito porque ele reagiu à prisão.

Em depoimento prestado à Corregedoria da PM no dia 15 de setembro de 2015, o policial flagrado empurrando Fernando Henrique da Silva e seus colegas de corporação alegaram que o suspeito tentou lutar e, com isso, se desequilibrou. Eles afirmam que Silva tentou agredi-los e que acabou se desequilibrando sozinho "por não ter caminho para descer."

A Corregedoria da PM considerou a versão mentirosa, pelo fato de o vídeo gravado por um vizinho mostrar Silva sendo empurrado por um dos policiais em direção os fundos da casa, quando já estava algemado.

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