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Crise diplomática faz Turquia chamar Holanda de 'república de bananas'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou neste domingo (12) que a Holanda está agindo como uma república de bananas e deveria sofrer sanções internacionais por ter barrado dois ministros turcos que pretendiam fazer comícios no país. "Eles vão pagar caro e vão aprender o que é diplomacia", disse Erdogan.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, afirmou que a Turquia está agindo "de forma totalmente inaceitável e irresponsável."

Esse foi apenas o último capítulo da escalada de tensões entre os dois países que começou no sábado (11), quando o governo da Holanda proibiu o pouso do avião em que estava o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu.

Ele realizaria um comício a favor do referendo presidencial. A Turquia realiza em 16 de abril uma consulta popular que, caso aprovada, vai criar uma superpresidência com poderes expandidos para Erdogan, que passaria a ser chefe de governo com a extinção do cargo de premiê, atualmente ocupado por Binali Yildirim.

A crise diplomática piorou após a expulsão da ministra da Família turca, Fatma Betul Sayan Kaya, que estava em Roterdã. Ela, que tentava chegar ao consulado da Turquia para um comício com a comunidade turca local, foi escoltada até a fronteira com a Alemanha. "Fomos submetidos a um tratamento desumano e imoral", declarou.

Em resposta, Erdogan criticou o governo holandês, dizendo que "tinha vestígios do nazismo, são fascistas."

Ancara fechou a embaixada e o consulado holandeses, bem como as residências do responsável pelos assuntos da embaixada e do cônsul, por "razões de segurança".

A chancelaria da Turquia também informou "não querer que o embaixador holandês, atualmente fora do país, retornasse ao trabalho, por tempo indeterminado".

REPERCUSSÃO

A crise repercutiu em outros países da Europa, que saíram em defesa da Holanda.

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, propôs no domingo (12) que o primeiro ministro turco, Binali Yildirim, adie a visita ao país, que faria ainda neste mês.

"Não podemos dissociar os atuais ataques turcos contra a Holanda da visita que era planejada. Portanto, propus a meu colega turco que a reunião seja adiada", disse.

A Alemanha, onde vivem 1,5 milhão de turcos que podem votar no referendo, já havia proibido vários comícios agendados por autoridades turcas, alegando problemas de segurança.

O presidente turco acusou a Alemanha de "práticas nazistas". A Áustria e a Suíça também vetaram comícios.

Críticos afirmam que Erdogan quer se aproveitar da liberdade de expressão existente na Europa para consolidar seu poder antidemocrático em casa. Seu governo prendeu milhares de jornalistas e opositores desde a tentativa de golpe no país, em julho de 2016.

A crise vem em momento especialmente delicado para o governo liderado por Mark Rutte na Holanda. Nesta semana, seu partido disputa eleições, e o principal adversário é a legenda de Geert Wilders, que ganhou popularidade se opondo a imigrantes e ao islã.

Para Erdogan, a Holanda é importante no referendo porque o país tem 400 mil cidadãos de origem turca.

O governo da França, que permitiu um comício do chanceler turco, pediu a autoridades da Turquia "evitar excessos e provocações".

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