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ATUALIZADA - Impeachment traz dúvidas sobre futuro sul-coreano

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O impeachment de Park Geun-hye abre um período de incerteza na Coreia do Sul, no qual deverão ser questionadas as bases políticas e econômicas que regem o país há mais de 50 anos, o que deve afetar também sua relação com o resto do mundo.

A presidente conservadora foi deposta pelo Tribunal Constitucional (suprema corte) nesta sexta (10). sob a acusação de subornar empresas a fazer doações a fundações de sua melhor amiga em troca de favores do governo.

A divisão política provocada pelo escândalo teve suas primeiras cenas de violência horas após a decisão. Dois manifestantes pró-Park morreram quando os aliados da presidente se enfrentaram com opositores que comemoravam sua saída e a polícia.

Segundo a agência de notícias Yonhap, um homem de 70 anos morreu ao ser atingido por uma caixa de som que caiu de um ônibus da polícia no confronto. Outro idoso de 60 anos foi levado inconsciente a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

O presidente em exercício, Hwang Kyo-ahn, pediu aos dois lados que deixem as diferenças. "Não é o ideal expandir o conflito. Vidas preciosas foram perdidas, e isso não pode voltar a acontecer."

Hwang ficará no cargo até maio, quando ocorrem novas eleições. Com o impeachment de Park, os conservadores perdem força, o que deve levar à volta dos progressistas ao governo após dez anos.

O favorito a assumir a presidência é Moon Jae-in, do Partido Democrático, que aparece com 36% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada na quinta-feira (9) pelo instituto Realmeter.

Ele, que perdeu para Park por uma diferença de três pontos, disse recentemente que o país precisa "liquidar o velho sistema para construir uma nova Coreia do Sul."

O discurso encontra eco entre os manifestantes pró-impeachment, que defendem o fim da impunidade governo e mais transparência na relação do governo com os grandes conglomerados.

As ruas parecem ter influenciado as decisões da Justiça. Em 16 de fevereiro, o vice-presidente da Samsung, Lee Jae-young, foi preso sob a acusação de doar US$ 55 milhões a Choi Soon-sil, amiga de Park, em troca da aprovação da fusão de duas divisões.

Ele não teve a sorte do pai, Lee Kun-hee, que nunca foi preso pela condenação por corrupção em 2008. Além da Samsung, Hyundai, LG, Lotte e KT são investigadas.

POLÍTICA EXTERNA

Se a eleição de Moon se confirmar, ele terá que lidar com a polêmica provocada pela instalação do escudo antimísseis dos EUA e a crise diplomática com a China.

Logo após a decisão, os EUA e o Japão disseram que nada muda com o impeachment. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, deverá ir a Seul nas próximas semanas e foi mantido o cronograma de montagem do sistema antimísseis, que terminará antes do pleito.

A China voltou a pressionar pelo fim do escudo, cuja instalação o candidato favorito promete reavaliar.

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