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Países não devem culpar UE por seus próprios problemas, diz líder do bloco

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DIOGO BERCITO

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou nesta quarta-feira (1º) uma série de propostas para o futuro da União Europeia (UE), pedindo que governos deixem de criticar o bloco econômico por suas próprias dificuldades.

Juncker falava ao Parlamento Europeu em meio a meses de ansiedade no continente. O Reino Unido decidiu em junho deixar o bloco e movimentos nacionalistas têm ganhado apoio em países como França e Itália.

"O futuro da Europa não deveria ser refém de eleições, partidos políticos ou gritos de triunfo direcionados ao público local", disse, criticando a estratégia recorrente de culpar burocratas em Bruxelas por decisões impopulares, como os cortes nos gastos públicos.

Problemas como o alto desemprego entre jovens, afirmou, não são competência da UE, mas dos governos nacionais.

"Nós não deveríamos convencer as pessoas de que podemos simplesmente evocar o Sol e a Lua. Na melhor das hipóteses, podemos entregar um telescópio."

Os cenários sugeridos por Juncker variam entre manter o bloco como está e promover uma integração em blocos -alguns países se aproximariam mais rapidamente do que outros, uma opção que preocupa Estados periféricos, que poderiam ser escanteados.

Grupos de países poderiam, nesse modelo, integrar-se em diferentes setores e com diferentes velocidades, da mesma maneira em que hoje nem todos utilizam o euro como moeda comum.

ELEIÇÕES

Este ano será decisivo para o futuro da UE, com eleições em dois países centrais, França e Alemanha. A Itália também passa por importantes transformações políticas, após a renúncia do então premiê Matteo Renzi, e há a possibilidade de eleições antecipadas.

Líderes do bloco europeu devem se reunir em Roma no fim deste mês para discutir o futuro, celebrando também seu aniversário de 60 anos.

A premiê britânica, Theresa May, foi convidada, mas não deve comparecer -ela deve dar início à saída do Reino Unido da UE também no final de março, um processo que poderá durar dois anos.