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Duterte suspende trégua e retoma guerra às drogas nas Filipinas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acabou a trégua nas Filipinas. Nesta terça-feira (28), o presidente Rodrigo Duterte anunciou que a Polícia Nacional (PNP) voltará a "neutralizar" traficantes de drogas e usuários que se neguem a se entregar ao programa de reabilitação.

"Neutralizar", segundo grupos de direitos humanos, é um eufemismo para matar.

O presidente declarou várias vezes que a polícia pode atirar para matar em "confrontos legítimos".

Desde 1º de julho do ano passado, quando Duterte tomou posse, a chamada "guerra às drogas" deixou 7.076 mortos. Desse total, 2.551 mortes foram atribuídas à polícia e 3.603, a grupos de extermínio. No mesmo período, morreram em ação 35 policiais e 3 militares.

Os dados são de até 31 de janeiro, última atualização disponível. Apesar da declarada pausa no combate policial, jornalistas em Manila continuaram reportando assassinatos por esquadrões da morte.

Ainda nesta terça, o presidente ameaçou policiais que se envolvam em corrupção: "Não se surpreendam se eles começarem a ser mortos um por um".

BRASILEIROS PRESOS

Há pelo menos dois brasileiros presos nas Filipinas por envolvimento com drogas, segundo a Folha de S.Paulo apurou.

Yasmin Silva, 20, foi detida em outubro no aeroporto de Manila quando tentava entrar no país com cerca de 6 kg de cocaína escondidos em um travesseiro.

As penas de prisão para tráfico, porém, podem superar 40 anos, em cadeias cuja superlotação foi agravada desde que começou a guerra às drogas.

Embora o Congresso filipino esteja discutindo a volta da pena de morte para crimes relacionados a drogas, a pena capital, se aprovada, não deve atingir a brasileira.

Em tese, a legislação não se aplica a crimes cometidos antes de sua aprovação, a não ser para beneficiar os réus.

A Embaixada do Brasil em Manila não informa o nome do outro brasileiro, preso por porte de entorpecentes -as regras impedem a divulgação de informações pessoais.

FAXINA

Eleito sob a promessa de varrer do país as drogas -a mais disseminada é a metanfetamina, chamada no país de shabu-, Duterte havia anunciado em janeiro a dissolução do grupo especial de combate a drogas ilegais (AIDG, na sigla em inglês) e a intenção de "limpar a organização de membros corruptos".

A medida seguiu-se ao sequestro e morte, por policiais, de um empresário sul-coreano, Jee Ick-joo. Segundo o Departamento de Justiça, policiais o estrangularam e extorquiram a família por resgate fingindo que ele estava vivo.

Além do caso de Jee, há várias acusações contra policiais por extorsão, plantação de provas, roubos e assassinatos ilegais.

A extorsão de suspeitos foi tema do filme mais recente do diretor filipino Brillante Mendoza, cuja protagonista ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes no ano passado.

No filme, uma pequena comerciante presa por vender shabu precisa pagar 50 mil pesos (cerca de R$ 3.400) para se livrar da cadeia.

No caso do sul-coreano, os sequestradores pediram 5 milhões de pesos (R$ 340 mil) à viúva. Ela pagou o resgate, mas, sem reaver o marido, recorreu ao governo.

IGREJA CATÓLICA REAGE

Durante a trégua oficial, cerca de 50 mil pessoas foram às ruas contra a guerra às drogas, em passeata organizada pela Igreja Católica.

Organização religiosa majoritária no país (mais de 80% da população se declara católica), a igreja vinha sendo criticada como omissa por grupos de direitos humanos e, de outro lado, atacada por Duterte como hipócrita e corrupta.

A reação pública da igreja ficou mais evidente na semana do Natal, com a organização de uma exposição de fotos gigantes de vítimas da guerra às drogas.

Fora dos holofotes, ordens religiosas também têm escondido alvos dos policiais.

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