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ATUALIZADA - Em cenário indefinido, Equador vive expectativa de segundo turno

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SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL

QUITO, EQUADOR (FOLHAPRESS) - "Segundo turno, segundo turno", gritavam, na manhã desta segunda-feira (20), centenas de pessoas que se concentravam, algumas desde a noite passada, na frente da sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Quito.

Muitos levavam a bandeira do candidato oposicionista Guillermo Lasso, até agora em segundo lugar na contagem oficial das eleições do Equador, que ocorreram no último domingo (19).

Outros, porém, apenas carregavam a bandeira e diziam que não eram partidários de nenhum candidato. "Vim porque tenho medo que cometam fraude. Por que agora demoram tanto com os resultados? É para manipular os votos que faltam e dar a vitória ao governo no primeiro turno? Vim defender a democracia no Equador", disse à Folha o comerciante Diomar Quinteros, 44.

Enquanto isso, na avenida de los Shyris, tradicional ponto de encontro de seguidores do atual presidente, Rafael Correa, também havia uma concentração de apoiadores do seu partido, o Alianza País. Ali, o candidato Lenín Moreno havia subido ao palco na noite anterior e comandado uma festa, na qual cantou e afirmou que venceria no primeiro turno.

Os números, porém, demoram a dar uma resposta definitiva para um Equador que passou o dia em suspense.

A apuração das urnas pouco avançou ao longo desta segunda. Até a conclusão desta edição, 89,3% dos votos haviam sido contabilizados, dando 39,11% a Moreno e 28,33% para Lasso.

No Equador, para vencer no primeiro turno, o candidato precisa ter 50% dos votos mais um, ou então 40%, desde que tenha uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. A diferença de Moreno para Lasso se aproximava de 11 pontos, mas ainda lhe faltava obter os 40%.

EXPECTATIVA

O presidente do CNE, Juan Pablo Pozo, declarou, na manhã desta segunda (20) que a definição sobre se haverá ou não segundo turno deve demorar ainda mais três dias.

Ele apontou para problemas de logística na contagem como causa da demora da contabilização dos 11% restantes dos votos.

O candidato a vice na chapa de Lasso, Andrés Páez, foi até a sede do CNE e afirmou a jornalistas e apoiadores que, a essa altura da apuração, não era mais possível pensar em uma vitória de Moreno no primeiro turno.

"Para que isso aconteça, mais de 50% dos votos restantes teriam de ir para ele, e isso é impossível se seguirmos a tendência da contagem desde ontem. O CNE tem de admitir logo que há segundo turno, para não criar mais instabilidade."

Já do lado do governo, Moreno baixou o tom com relação ao domingo (19). A um programa de televisão afirmou que, se houver segundo turno, irá continuar brigando por mais votos.

"Não acredito que todos os eleitores dos outros candidatos irão para Lasso."

Moreno espera ter o apoio, por exemplo, dos votantes do esquerdista Paco Moncayo (7%), que se declarou neutro em caso de segundo turno, mas cujos eleitores diferem muito ideologicamente de Lasso, pelo fato de este ser muito conservador em temas de direitos civis --é contra o aborto e o casamento gay.

O governista ainda crê que possa atrair os seguidores da candidatura da direitista Cynthia Viteri (16%), que anunciou imediatamente na noite de ontem o apoio a Lasso. "Uma coisa é o candidato anunciar um apoio, outra é todo mundo que votou nele realmente segui-lo. Eu creio que posso atrair eleitores de Viteri", afirmou Moreno.

Já Rafael Correa, que na noite de domingo lançou nas redes sociais mensagens dizendo que seu partido venceria num primeiro turno, mudou o discurso nesta segunda (20). Afirmou que se concentraria em lutar por "uma nova vitória popular em abril". O segundo turno, se for confirmado, será no dia 2 desse mês.

Para o analista Simón Pachano, deve haver de fato um segundo turno, mas que as coisas não devem ser tão fáceis para Lasso. "Os números mostram que o 'correismo' perdeu muitos eleitores, mas estes não se concentraram numa candidatura. O resultado parcial mostra Lasso com só 3 pontos a mais do que conseguiu em 2013. Ou seja, o Alianza País perdeu apoio, mas não surgiu de fato uma alternativa forte."

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