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Limpeza, público e transporte; veja erros e acertos no pré-carnaval de SP

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JULIANA GRAGNANI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - De uma coisa o paulistano carnavalesco não pode reclamar: o sol favoreceu a folia no fim de semana de pré-Carnaval.

Já de algumas outras coisas, sim: o caos no Largo da Batata, na zona oeste, a falta de orientações no trânsito, o lixo espalhado pela cidade no sábado (18).

Mas o aumento do número de blocos contribuiu para um Carnaval maior e mais diverso. No fim, a cidade amanheceu limpa nesta segunda (20).

DEU ERRADO

1) Dispersão no Largo da Batata

A estratégia era fazer com que os foliões que normalmente permanecem na Vila Madalena deixassem a região para fazer a dispersão no Largo da Batata, área mais extensa e com mais pontos de saída. Para atrair os foliões, um palco com shows até as 23h foi instalado ali, onde havia também uma roda-gigante de uma das patrocinadoras do Carnaval em São Paulo, a marca de cerveja Skol. O brinquedo atraiu 5.000 pessoas nos dois dias. Além disso, três grandes blocos saíram na av. Faria Lima no sábado, e outros três na rua dos Pinheiros.

Resultado: o caos tão conhecido à Vila Madalena migrou para o Largo da Batata, onde na noite de sábado (18) havia muito lixo no chão, uma estação de metrô interditada, relatos de furtos, foliões embriagados e carros desorientados. A psicóloga Nadia dos Anjos, 61, pedia ajuda para foliões para sair da região. "Não tem quem me ajude, não tem orientações, policiais, nada. Estou com uma senhora de 90 anos", afirmou. Um motorista de Uber dizia ter ficado tentando sair do largo da Batata durante 40 minutos. Enquanto isso, na estação Faria Lima, muita gente ficou presa, sem conseguir sair dali.

Até o prefeito João Doria (PSDB) admitiu: "Não passamos de ano", disse. Segundo o prefeito, a administração municipal subestimou o número de foliões. A expectativa era de 250 mil pessoas, mas o total pela cidade chegou a 750 mil.

A Vila Madalena, por sua vez, não chegou a ficar tão caótica como nos anos anteriores -blocos cumpriram os horários de encerramento- mas tampouco terminou o Carnaval de forma satisfatória.

2) Dispersão na praça Roosevelt

Não deu tão errado quanto a dispersão no Largo da Batata, mas, no domingo (19), o atraso do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta fez com que os foliões ficassem concentrados bem em frente à praça Roosevelt, proibida pela gestão Doria como espaço de concentração e dispersão.

O bloco deveria ter chegado às 21h na av. São Luís. Chegou às 22h23 em frente à igreja da Consolação, trazendo consigo cerca de 350 mil foliões, segundo os organizadores dos blocos. Funcionários da CET diziam estar "esperando para ver" o que iria acontecer.

Banheiros químicos colocados nos vãos de acesso à praça pela Consolação e um rápido caminhão-pipa acabaram ajudando a dispersão, mas não impediram que foliões chegassem à praça por outros meios de acesso.

3) Transporte público e orientações a motoristas Às 20h de sábado (18), um trecho da rua Teodoro Sampaio com a Cunha Gago, próximo ao Largo da Batata, foi repentinamente aberto para carros. Era um erro. Um funcionário da Dreamfactory, empresa de eventos responsável pelo Carnaval em São Paulo, reclamava: "está um caos, não era para terem aberto, estou tentando arrumar tudo sozinho".

Esse foi um dos exemplos dos problemas de trânsito na cidade durante o Carnaval. Usuários de transporte público relataram problemas também nos itinerários de ônibus, modificados sem aviso prévio, e de orientações genéricas em placas avisando que ali haveria Carnaval.

DEU CERTO

1) Público

A prefeitura esperava 250 mil pessoas, mas foram 750 mil foliões no pré-Carnaval paulistano. O número de foliões, muito maior que o esperado, reflete um panorama mais rico e diverso.

O paulistano também começa a "sair do armário" no quesito fantasias de Carnaval. Embora ainda seja comum em São Paulo foliões só com adereços na cabeça, como se fossem fantasias de verdade, alguns começaram a copiar a animação dos cariocas, com fantasias de corpo inteiro. Surgiram muitas sereias e várias referências bem-humoradas dos muros cinzas do prefeito Doria.

No domingo (19), a av. Paulista, aberta para pedestres e fechada para carros, transformou-se em área de "esquenta" para blocos -ali havia jovens da periferia que frequentavam o Carnaval de rua pela primeira vez.

2) Diversidade

Um Carnaval de rua 28% maior do que o do ano anterior -391 blocos neste ano ante 306 no ano passado- deu asas a um Carnaval mais diverso também. No centro, o primeiro grande bloco lésbico, o Desculpa Qualquer Coisa, atraiu foliões LGBT.

Esse mesmo público esteve presente no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta -o maior de São Paulo, que levou gente de todas as partes de São Paulo para a rua da Consolação.

3) Limpeza no domingo

Se a limpeza falhou no sábado (18), no domingo (19) ela foi mais ágil. Doria apareceu no largo da Batata, vestido de gari, admitindo as falhas do dia anterior.

Havia visivelmente mais banheiros químicos na cidade -mas também mais foliões. Alguns seguiram ignorando os banheiros e recorrendo a muros, deixando partes da cidade, como a rua da Consolação, com odor de urina. Mas mesmo ali, logo após o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, no domingo (19), um mutirão de limpeza tirou a sujeira do local.

Na manhã desta segunda (20), a cidade amanheceu limpa.

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