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ATUALIZADA - Sem acordo com comando da PM, mulheres mantêm protesto no Rio

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LUIZA FRANCO, LUCAS VETTORAZZO E NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após cerca de três horas de reunião com o comando da Polícia Militar (PM) do Rio, mulheres de policiais decidiram continuar com os protestos na porta dos batalhões iniciados na sexta (10). As manifestações atingem 29 unidades, segundo a PM.

O encontro teve início por volta das 15h deste sábado, com participação do comandante-geral da PM, coronel Wolney Dias, do chefe do Estado-Maior Operacional, coronel Cláudio Lima Freire, e cerca de 40 representantes das mulheres. A conversa foi mediada por representantes do Ministério Público.

As manifestantes pedem o pagamento do 13º salário de 2016, de bonificações por cumprimento de metas e de horas extras pelo trabalho durante os Jogos Olímpicos.

Os salários dos policiais referentes ao mês de dezembro devem ser pagos no próximo dia 14, já com aumento negociado com o governador Luiz Fernando Pezão em 2014.

Ao lado dos profissionais de educação, a área de segurança pública tem sido priorizada no calendário de pagamentos do governo estadual. As demais categorias estão recebendo seus salários em parcelas.

As representantes do movimento ouviram do coronel Wolney que o governo só terá condições de pagar os valores se aprovar, na próxima terça (14) projeto de lei que permite a privatização da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto).

Sem dinheiro em caixa, o governo planeja dar ações da empresa para tomar empréstimo de R$ 3,5 bilhões. A aprovação do projeto é também uma condição para negociação de pacote de ajuda do governo federal. Com o dinheiro, acertaria o pagamento aos servidores de salários e outros valores atrasados.

Em redes sociais, as manifestantes anunciaram a manutenção dos protestos e pediram força às mulheres que estão na porta dos batalhões para que prossigam pressionando. Pediram também o apoio da população para a causa dos policiais.

Neste sábado, houve protestos na porta de 29 batalhões, dois a mais do que no dia anterior. A exemplo do que ocorre no Espírito Santo, as mulheres estão posicionadas diante dos portões, tentando evitar a saída de policiais.

O governo do Estado garante, porém, que o policiamento não tem sido afetado. Para isso, a PM tem apelado para trocas de turno fora dos batalhões e até o uso de helicópteros para retirar homens das unidades que estão totalmente bloqueadas.

Em nota, a PM disse que o comandante Wolney prometeu estudar as reivindicações que competem à corporação, como cumprimento das escalas, melhores condições de trabalho e de atendimento médico.

Uma nova reunião será agendada, desta vez com a participação de representante do governo estadual.